quinta-feira, 19 de junho de 2014

Conversa de Contracapa # 09

Conversa de Contracapa é coluna off topic do blog Além da Contracapa. Sem limitação temática, iremos explorar todo e qualquer assunto relacionado ao mundo da literatura. 

Creio que uma das frases mais comuns entre pessoas que possuem o hábito da leitura é: "Eu leio de tudo, até bula de remédio". De minha parte, admito que não leio de tudo, e até fujo de certos gêneros literários, mas no geral me considero um leitor bastante eclético. E esse é o tópico da coluna de hoje: por que devemos ser ecléticos em nossas leituras?

Em primeiro lugar, não custa nada afirmar o óbvio. Leitura, necessariamente, deve ser sinônimo de prazer. E este é um dos grandes problemas do nosso sistema educacional: leituras obrigatórias traumatizam os alunos ao invés de incentivá-los. Dito isso, é claro que iniciamos nossas vidas como leitores lendo aquilo que nos agrada, mas depois de um tempo, creio ser fundamental ampliar nossos horizontes no mundo da leitura, e isso não significa deixar o prazer de lado. 

Particularmente, sempre gostei muito de suspense policial e de literatura fantástica. Mas em determinado ponto da minha caminhada, senti a necessidade de conhecer outros gêneros, afinal, aqui se aplica o mesmo princípio sobre comida: se você nunca experimentar, como saber que não gosta? 

Mesmo não sendo um fã ardoroso de romances, resolvi ler Orgulho e Preconceito após assistir a adaptação estrelada por Keira Knightley. Resultado: após a leitura, Jane Austen se tornou uma de minhas autoras preferidas. Agora, olhando para trás, penso que jamais teria conhecido esta incrível autora e seus inesquecíveis personagens se tivesse me limitado aos gêneros acima mencionados.  

O mesmo poderia ser dito de John Green. Resolvi comprar A Culpa é das Estrelas apenas por que li muitos elogios sobre a obra do autor na blogosfera literária. Se dependesse da sinopse, teria dito: "Grande coisa. Parece mais do mesmo". Felizmente, meu pré-julgamento se mostrou completamente errado e John Green se tornou um dos autores mais queridinhos da minha estante.

Também não gostava de terror ou de ficção científica. Na minha opinião ou o autor deveria criar uma obra de fantasia, inventando seu próprio mundo, ou então deveria permanecer na realidade. Ou seja, uma obra que estivesse fundada na realidade mas que contivesse elementos sobrenaturais ou fantásticos, provavelmente não iria me agradar. Todavia, me interessei pela premissa de Sob a Redoma, livro que se tornou a melhor leitura de 2012 e que me motivou a ler qualquer livro que estampasse o nome de Stephen King na capa. 

Na medida em que eu amadureci como leitor e como pessoa, me vi vencendo meus próprios próprios pré-conceitos, me aventurando em novos gêneros e conhecendo novos autores. Tive decepções? Certamente. Mas também foram muitas as vezes que me emocionei ou que preendi a respiração tendo em mãos livros que jamais imaginei ler. 

Você já deve ter ouvido que ficar na zona de conforto não faz bem. Creio que o mesmo pode ser dito sobre nossos hábitos literários. Então, antes de começar a ler o próximo livro, aventure-se. Continue a ler o que você gosta, mas de vez em quando tente ler algo diferente daquilo a que está acostumado. Saia de sua bolha e se prepare para conhecer um mundo novo a cada dia. Afinal, não é para isso mesmo que a leitura serve?


10 comentários:

Gabriela Cerutti Zimmermann disse...

Concordo bastante com o que você disse, Alê. Ler de tudo é algo um tanto utópico, já que é impossível gostar de tudo. Mas é importante ter uma leitura variada e tento fazer isso. Também não sou grande fã de romance, mas se a obra pende mais lo lado dramático ou até cômico já não muda a situação. E quero ler os livros da Jane Austen porque também gostei do filme com a Keira. [rs] No mais leio de Green a Tolkien, de Rowling a Lewis e por aí vai. Pra abrir a mente e aumentar a capacidade de percepção.

Abraço!
http://constantesevariaveis.blogspot.com.br/

Nardonio disse...

Claro que temos nossos gostos literários, e digo que é muito fácil ficar nessa nossa "zona de conforto". Como comecei minha vida de leitor compulsivo há pouquíssimo tempo, ainda estou na fase de ler de tudo um pouco. E não me restrinjo a apenas ler um ou dois livros de um gênero, tento ler mais, e de autores diferentes, se possível. Pois, podemos gostar de sobrenatural, mas não gostarmos da escrita de um determinado autor. Enfim, o segredo é isso que você disse: Ler o que gostamos, mas, às vezes, nos aventurarmos em outras páginas.

Seguidor: DomDom Almeida
@_Dom_Dom

Jéssica Soares disse...

Mesmo sendo uma leitora assídua, não li nem metade da metade dos livros que pretendo ler nessa vida e, dos que eu já pude conferir, se todos fossem do mesmo gênero, garanto que a minha empolgação de querer conhecer novas histórias não seria a mesma. Ler aquilo que gostamos é essencial para um pontapé, mas a medida que o tempo passa, naturalmente a vontade de ler algo diferente aparece, é uma pena que o sistema educacional ainda não compreendeu esse fato. Particularmente, minha meta pessoal no momento é ler mais clássicos e tenho certeza que a leitura desses livros agora será bem mais proveitosa do que na época que eu me encontrava no Ensino Fundamental!
Jéssica - http://lereincrivel.blogspot.com.br/

Raimundo Ferreira disse...

Concordo demais!

No meu caso, quase sempre que tenho receio de ler algum livro acabo me surpreendendo e esse livro passa a fazer parte da minha lista de livros preferidos. Assim se confirma a teoria de que não devemos julgar pela aparência. O mesmo funciona para os livros, não devemos nos deixar levar pela capa que não chama nossa atenção ou pelas opiniões negativas. A verdade é que sempre podemos pensar diferente dos demais, seja por nosso modo de ser, por nossos gostos, enfim, somos únicos e não podemos pensar como a maioria ou nos deiar levar pelas aparências.

Raimundo Ferreira - Blog: http://legereoculis.blogspot.com.br/

Bruna Monteiro disse...

Todos nós temos os nossos gêneros literários favoritos, mas acho que não é legal ficar limitado apenas em um ou dois gêneros. É sempre bom conferir as novidades, e experimentar outros enredos. Você citou A Culpa é das Estrelas, então, o meu primeiro contato com esse livro não foi muito bom, mesmo 90% das pessoas falando bem, eu achei que séria uma história comum e melosa de amor. Mesmo achando que não iria gostar resolvi ler, me apaixonei pelo livro de imediato, sem falar que John Green se tornou um dos meus autores favoritos. Gosto muito de livros distópicos, de aventura, fantasia, suspense, investigação e alguns tipos de romance. Acho que sou bastante eclética, e mesmo quando estou meio pé atrás em ler alguma coisa, procuro escutar opiniões e arriscar a leitura, às vezes me decepciono mas quem nunca se decepcionou ao ler um livro.

Fran Crawfield disse...

Esse texto é muito apurado pois passei por uma situação bem parecida, só gostava de romances policiais e decidi me aventurar em livros românticos, não fazia meu gênero mas decidi dar uma chance e acabei gostando, depois disso os outros gêneros só foram acrescentando: fantasia, terror/horror,etc. E acho que todos leitores antes de ter um pre-conceito do que pode ser um livro, dar uma pesquisada, não desistir só porque a sinopse não é legal. Antes de escolher um livro para minha próxima leitura converso com amigos que tem gostos parecidos e pesquiso bastante na internet. Devemos dar a chance para um livro "excluidinho" pois esse pode virar um dos seus favoritos.

rafaela disse...

Eu confesso que também não leio de tudo e também fujo de alguns gêneros.
Também costumava ler só livros dos gêneros que eu sabia que ia gostar, nunca nem tentava conhecer novos gêneros. Mas nesse ano eu estou tentado mudar um um pouco, e já comecei a ler romances de época, que eu tinha muito preconceito, e agora estou gostando bastante dos livros de época. Eu também não gostava muito de livros terror, mas já li um esse ano que também gostei muito, agora estou querendo ler algum do Stephen King, mas os livros dele são muito caros :P
Gostei muito do tópico dessa coluna :)
Beijos!

pamela mendes disse...

Eu até tento ler de tudo, mas tem gêneros que eu realmente não gosto, que eu já li alguns livros do gênero, mas não gostei de nenhum mesmo.
Mas também tem gêneros que eu não lia porque achava que não ia gostar, mas acabei lendo e gostando muito. Orgulho e Preconceito é um livro que eu achava que não ia gostar, mas hoje já é um dos meus livros favoritos.
Eu também não lia Chick lit e Policiais, mas hoje leio e gosto bastante dos dois.
Gostei bastante do texto e concordo com tudo, e o próximo gênero que eu vou procurar ler é biografia (que eu não leio porque acho que deve ser chato).
Bjss

Guilherme Lorenzoni disse...

Alê, falou bonito! Essa história de ler tudo não cola :/ A gente tem que ter um senso crítico a respeito de nossas leituras, classificando e não apenas lendo tudo por apenas ler.

Abraços!

Estante Diagonal disse...

Oi Ale tudo bem? amei seu texto, realmente, por muito tempo fiquei na minha zona de conforte mas agora tenho dado oportunidades para outras leituras e sei que ainda tenho que abranger muito mais este horizonte.

Achei seu blog através da Pah do Livros & Fuxicos, amei e já estou seguindo. Se quiser conhecer meu cantinho sera super bem vinda.
Beijos Joi Cardoso
Estante Diagonal

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