segunda-feira, 21 de julho de 2014

Conversa de Contracapa # 10

Conversa de Contracapa é coluna off topic do blog Além da Contracapa. Sem limitação temática, iremos explorar todo e qualquer assunto relacionado ao mundo da literatura. 

Antes de mais nada, registro que A Casa das Sete Mulheres foi um dos melhores romances históricos que já li e que o talento de Letícia Wierzchowski é indubitável. Mas Um Farol no Pampa, a malfadada continuação, deixou a desejar.

O principal problema de Um Farol no Pampa foi o desenvolvimento da estória em um ritmo extremamente vagaroso e a sensação era de que, para disfarçar que nada importante acontecia, os personagens morriam ou casavam. Li até metade do livro e simplesmente não consegui continuar, e saliento que foram pouquíssimas as vezes que abandonei um livro depois que comecei.

Daí, indago: ler ou não ler continuações? Aqui evidentemente não me refiro a séries, que tem sua continuidade prevista, mas justamente ao caso de Letícia. A Casa das Sete Mulheres se propõe a contar a estória da Revolução Farroupilha do ponto de vista das mulheres da família de Bento Gonçalves, e tal premissa é devidamente explorada e encerrada. O desfecho tampouco deixa ganchos para uma continuação.

Por sua vez, Um Farol no Pampa narra a estória de Matias, filho de João Gutierrez e de Mariana, contando como pano de fundo a Guerra do Paraguiai. Como esperado, muitos dos personagens do livro anterior estão presentes, como Manuela, D. Antônia, D. Ana, Caetana, entre outros. 

Posso estar sendo injusto em minha avaliação, principalmente se considerado que não li todo o livro, mas a meu ver Um Farol no Pampa não tinha estória suficiente para ser explorada. E sendo assim, me questiono por que tentar dar uma continuidade a um livro de sucesso se tudo o que poderia ser explorado já foi. 

O problema de continuações não previstas é que o livro antecessor provavelmente estabeleceu um nível extremamente alto para comparações, e a expectativa do leitor estará nas alturas. Então, por melhor que seja o livro, agradar o público se torna uma tarefa muito mais complicada.

De minha parte digo: “lição apreendida”. Só lerei o segundo livro após uma criteriosa análise da obra anterior e se for constatado potencial para uma boa continuação. Mas falar é fácil. Quero ver é resistir ler Dr. Sleep, a inesperada sequência de um dos mais famosos livros de Stephen King, O Iluminado, com lançamento previsto para o final do ano. 



6 comentários:

Gabriela Cerutti Zimmermann disse...

Vou confessar que nem sabia dessa continuação, Alê. Quero muito ler A Casa das Sete Mulheres, e é bom estar avisada pra ficar só nele. Continuações são um assunto complicado mesmo, não só com livros mas com filmes também. Algumas são tágicas. Ótimo texto.

Abraço!
http://constantesevariaveis.blogspot.com.br/

Virginia de Oliveira disse...

Compartilho de sua opinião sobre a questão de continuações, muitas vezes o escritor só escreve uma porque o livro foi bastante lucrativo mas a continuação acaba se tornando totalmente dispensável. Não li ainda A casa das sete mulheres, mas é uma livro que tenho muita vontade de ler.

Bruna Monteiro disse...

Eu não li nenhuma das duas obras. Já ouvir falar em A Casa das Sete Mulheres e a verdade é que fiquei sabendo agora, através de você, que a primeira obra tinha continuação. Acho que consigo entender a sua frustração, se é que podemos assim chamar. Acho que continuações só devem acontecer quando é realmente necessário, às vezes o autor só tem aquela vontade porém não tem mais o que ser explorado, as idéias acabaram e o resultado final acaba sendo desastroso.

Lais Cavalcante disse...

Faço das suas palavras, as minhas, principalmente o sexto parágrafo. Já tive experiências assim. Comecei a ler um livro, uma continuação, que também não era necessária e dito e feito. Me decepcionei de uma forma que demorei uns 2 meses para conseguir terminar o livro, o que me fez ver o autor com olhos totalmente diferentes. Mas, muitas vezes, isso se deve ao dinheiro, porque se o primeiro livro rendeu lucro, por que não escrever outro com a mesma essência? Provavelmente esse é o pensamento deles.

Letícia Souza disse...

Oiee
Sempre penso duas vezes antes de ler alguma continuação assim,bem inesperada.As vezes o livro já foi publicado há anos e do nada surge uma segunda obra derivada daquela mas sem potencial algum ou abordando algo simplesmente nada interessante ou uma história que nem merecesse ser publicada.Mas claro que há exceções,pois toda obra é diferente e as vezes o autor acerta na continuação,explorando temas ótimos e que não foram bem aproveitados em seus livros anteriores.
beijos :)

Nardonio disse...

Também não sei de onde os autores e/ou editoras tiram a ideia de escrever continuações de histórias que já tiveram seus devidos desfechos. Enfim, é uma pena que essa continuação desnecessária de "A Casa das Sete Mulheres" não tenha te agradado.
Agora é ver o que essa continuação de "O Iluminado" vai nos trazer, né?!?!

Seguidor: DomDom Almeida
@_Dom_Dom

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