domingo, 6 de agosto de 2017

RESENHA: Até que a culpa nos separe

“Todo mundo tem outro estilo de vida escondido na manga com o qual poderia ser feliz. Sim, Sam poderia ter sido um encanador casado com uma dona de casa que gostava de tarefas domésticas e manteria a casa em perfeita ordem, com cinco belos filhos jogadores de futebol americano, mas então provavelmente sonharia em ter um trabalho divertido em um escritório e em morar em um subúrbio moderno e descolado perto do porto com uma violoncelista e duas menininhas lindas, muito obrigada.” (MORIARTY, 2017, p. 172)

Depois da ótima experiência que tive com “Pequenas Grandes Mentiras”, confiei em Liane Moriarty para entregar mais um ótimo livro, porém não nego que tinha uma desconfiança. Acredito que Liane seja o tipo de autora competente cujo qualquer primeiro livro que o leitor pegue renderá uma boa leitura. Mas me perguntava se o mesmo acontecia com os livros seguintes, já que suas premissas e estruturas narrativas sempre se parecem muito (flashbacks + flashfowards + núcleos familiares). “Até que a culpa nos separe” foi uma boa leitura, mas não se equiparou a minha primeira experiência.

Quando o dia começou, era para Erika e seu marido, Oliver, receberem Clementine (amiga de infância de Erika) e o marido desta, Sam, para um almoço em sua casa. Porém, um convite inesperado de Vid, vizinho de Erika, leva o quarteto para um churrasco. Deveria ser apenas uma tarde comum, mas um acontecimento traumático vai mudar os relacionamentos entre eles.

A narrativa, sempre em terceira pessoa, sempre de ritmo fluido, intercala as visões de todos os personagens nos dando um panorama amplo do que aconteceu no churrasco e de como todos se sentem sobre isso. Nenhum personagem assume a posição de protagonista porque o que está em foco são os relacionamentos entre todos eles. A narrativa alterna ainda entre o presente e o dia do churrasco, dando aos poucos pistas para o leitor deduzir o que aconteceu. Durante um tempo confesso que isso me incomodou um pouco. Como comentei, esse ir e vir é, basicamente, a mesma estrutura de “Pequenas Grandes Mentiras”, porém em “Até que a culpa nos separe” não soa tão natural, parecendo que a autora esconde o jogo propositalmente, interrompendo a narrativa nos pontos cruciais apenas para não dar para o leitor a informação antes do tempo. Mas isso não chega a estragar a experiência porque a Liane não mantém o mistério do dia do churrasco por muito tempo.

Até a revelação, o leitor se pergunta o que aconteceu que fez com que Erika, Oliver, Sam, Clementine (e, em menor grau, Vid e Tiffany – os anfitriões) ficassem tão abalados. Por que agora todos parecem pisar em ovos uns com os outros? Por que agora Clementine, uma violoncelista, dá palestras para a comunidade? Passado o suspense, o foco se vira para as consequências e é nisso que Liane acerta: seu livro não é sobre o que aconteceu no churrasco e sim sobre o impacto disso na vida de seus personagens. O acontecimento em si (que, aliás, não foi uma surpresa para mim) é simples quando as peças se encaixam, mas sua repercussão é intensa.

O que torna as histórias de Liane cativantes é justamente o cotidiano. São pequenas coisas que podem se transformar em algo imenso quando acumuladas ou quando uma situação propícia a catástrofes se configura. No caso de “Até que a culpa nos separe” a pergunta “Quem você realmente é diante de uma situação extrema?” é o cerne da trama e é muito bem explorada pela autora.

Outra coisa que é bem explorada são os personagens. Os sentimentos que eles têm uns pelos outros não são preto no branco. Duas pessoas podem ser amigas e se irritar uma com a outra com frequência. Um casamento pode ser forte, mas também pode passar por momentos de abalo. As certezas diante das decisões não precisam ser definitivas. São todas situações com as quais o leitor consegue se conectar e o aproximam da trama.

Não é por se tratar de livros da mesma autora que comparo e sim porque um livro lembra o outro. “Até que a culpa nos separe” não é tão intrigante nem tem relações tão complexas como as de “Pequenas Grandes Mentiras”, mas apresenta uma trama talvez ainda mais verossímil, brinca com detalhes que parecem insignificantes para depois mostrar que eles estão conectados a algo importante e, o fundamental, mantem seu leitor envolvido do início ao fim.

Título: Até que a culpa nos separe
Autora: Liane Moriarty
N° de páginas: 464
Editora: Intrínseca
Exemplar cedido pela editora

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16 comentários:

Luiza Helena Vieira disse...

Oi, Mari!
Acho que o que segura o povo nos livros da Liane é justamente esse suspense de "o que foi que aconteceu?"
Nunca li nada dela, mas amei a adaptação de Pequenas Grandes Mentiras.
Beijos
Balaio de Babados
Concorra ao livro Depois do Fim autografado

Gabriela CZ disse...

"Duas pessoas podem ser amigas e se irritar uma com a outra com frequência." - Me ganhou de vez com essa frase, Mari. Parece que além do mistério a autora traz questões pertinentes sobre pessoas e relacionamentos, gosto disso. Quero ler. Ótima resenha.

Beijos!

Nicole Longhi disse...

Oi Mari,
Gosto muito dos livros da Liane porque ela consegue nos manter focados na trama o tempo todo para sabermos o que realmente aconteceu, apesar de as vezes ser meio irritante quando interrompe a narrativa para manter o suspense. Mas seus personagens são tão bem elaborados e distribuídos que não conseguimos nem ficar irritadas.

Beijinhos
She is a Bookaholic

RUDYNALVA disse...

Mari!
Gosto muito quando a autora disseca a personalidade dos personagens, porque conseguimos entendê-los e compreender melhor toda a trama.
Fiquei com a maior vontade de ler.
Bom que gostou do livro.
Desejo uma ótima semana!
“A vida guarda a sabedoria do equilíbrio e nada acontece sem uma razão justa.” (Zíbia Gasparetto)
Cheirinhos
Rudy
TOP COMENTARISTA DE AGOSTO 3 livros, 3 ganhadores, participem.

Raquel disse...

Oie!
O enredo do livro parece ótimo e um pouco misterioso, mas confesso que narrativa em terceira pessoa e com os tempos intercalados não me atrai muito, acabo achando a leitura cansativa e deixando de lado :/

Beijinhos
tipsnconfessions.blogspot.com

Victor N. Souza disse...

Oi Mari! Tudo bem?

Acabo de ver o título na Amazon, onde adoro comprar meus livros, e não me interessei muito, mas agora que li sua resenha quem sabe eu não o adicione na minha Wishlist para as próximas compras?!

Parabéns pela resenha, adorei!

Grande abraço,
www.cafeidilico.com

Rissia Ribeiro disse...

Oi mana, eu nunca li nada da autora pra ser sincera embora já tenha visto comentários sobre o livro. Eu me interesso pelo enredo do livro emborara tenha ficado com um pé atrás porque narrativas que tendem a demorar muito pra chegar no ponto crucial me deixam sonolenta, e sim eu sou uma lástima pra ler livro de suspense KKK Mas obrigada pela ótima resenha, uma pena que o livro narra se compara ao primeiro mas pelo menos a leitura foi boa.

Nessa disse...

Oie
Eu nunca li nada desta autora, mas morro de curiosidade, pq sempre me parecem ser histórias fortes e com questões familiares. Quero ler.

Beijinhos
https://diariodeincentivoaleitura.blogspot.com.br/

Giulianna Santicioli disse...

Já assisti Pequenas Grandes Mentiras e admito que não gostei muito, se Até que a culpa nos separe seguir mais ou menos o mesmo ritmo, provavelmente não vou curtir muito, mas fiquei super curiosa para saber o que aconteceu entre esses casais e quais são as consequências.
Beijos!

Renata Leite e Isadora Klauck disse...

Oi, Mari!

Achei esse livro muito diferente! Interessante o fato de não ter protagonista, é bastante raro encontrar isso em livros. Gostei da história e vou ler se tiver oportunidade.
Beijos,
Isadora.
viciadas-em-livros.blogspot.com.br

Márcia Saltão disse...

Olá!
Ainda não tive a chance de conhecer a escrita da autora, mas tenho curiosidade. Os personagens parecem ser bem construídos e passar uma verdade ao leitor, além de tornarem o enredo gostoso e fluido.
Espero conseguir fazer a leitura dessa obra e gostar!
Linda resenha.
Beijos.

Ana Magiero disse...

Quero muito conhecer a escrita dessa autora. Toda vez que vou na livraria, babo nos livros dela, fico namorando. Um dia vou conseguir.
Adorei a resenha e estou com mais vontade ainda de ler!
Beijos

https://littlegirlreader.blogspot.com.br/

Isabela Carvalho disse...

Oi Mari ;)
Já li O Segredo do Meu Marido da Liane Moriarty, e eu simplesmente amei a escrita dela, então estava ansiosa para ler Até que a culpa nos separe.
Gosto dessa narrativa dos livros dela, como os pontos de vista dos personagens são intercalado, e mostram esse panorama do que aconteceu.
Enfim, que pena que você não gostou tanto do livro como de Pequenas Grandes Mentiras (que também quero muito ler e ver a série), mas vou dar uma chance ao livro!
Bjos

Carolina Garcia disse...

Oi, Mari!!

Eu confesso que comprei Pequenas Grandes Mentiras há algum tempo, mas ainda não consegui parar e pegar ele para ler. O tempo livre está cada vez menor, infelizmente.

Sua resenha, embora seja de outro livro da autora, me deixou mais curiosa ainda para conferir Pequenas Grandes Mentiras. Hahahaha
Espero conseguir lê-lo em breve.

Mas gostei da ideia desse novo suspense que foca nas consequências e não na descoberta do ato em si. Vou querer conferir também.

Bjs

http://livrosontemhojeesempre.blogspot.com.br

Naiara Fidelis Da Silva disse...

Estou com o "segredo do meu marido" para ler, mas ainda nao tive oportunidade. Porém, confesso que fiquei intrigada se este livro vai ter as idas e vindas na história também.

Esses outros dois livros da autora estava na minha lista de desejados, mas vou ler o que eu tenho primeiro para ter certeza se vou gostar da narrativa da autora.

Marta Izabel disse...

Oi, Mari!!
Gostei bastante da resenha ainda não li nada da Liane Moriarty, mas muito em breve vou poder ler essa estória incrível. E quem sabe não possa ler os outros livros da autora também.
Bjoss

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