quarta-feira, 9 de agosto de 2017

RESENHA: Pollyanna

“— Mas tia Polly... tia Polly, não me deixou nenhum tempo para... para viver. 
— Para viver, criança? O que quer dizer com isso? Como se não vivesse o tempo todo...
— Claro, vou estar respirando o tempo todo que estiver fazendo essas coisas, tia Polly. Respiramos o tempo todo enquanto dormimos, mas não estamos vivendo. Quero dizer... vivendo... fazendo as coisas que a gente quer fazer: brincar lá fora, ler (para mim mesma, é claro), escalar colinas, conversar com Mr. Tom no jardim e com Nancy, e descobrir tudo sobre as casas e as pessoas, sobre essas ruas adoráveis por onde passei ontem. Isso é o que chamo de viver, tia Polly. Só respirar não é viver.” (PORTER, 2017, p. 45)

***

Pollyanna é uma criança de onze que é acolhida por sua tia quando se torna órfã. Para manter acesa a memória de seu pai, Pollyanna constantemente joga o “jogo do contente”, uma brincadeira que a estimula a olhar para o lado positivo de todas as circunstâncias. Porém, a convivência com tia Polly, uma senhora rígida e severa, será um desafio para ambas. 

Creio que seja seguro dizer que Pollyanna é a personificação do otimismo e da alegria, pois ela sempre consegue encontrar algum motivo para contentar-se. Estes atributos brilham ainda mais por contrastarem tanto com a personalidade de sua tia, uma mulher amargurada e que, acima de tudo, é “conhecedora de seus deveres”. 

Preciso confessar que, em um primeiro momento, essa felicidade excessiva de Pollyanna me pareceu irritante e até mesmo um pouco inverossímil, afinal, ninguém é feliz o tempo inteiro. Porém, aos poucos comecei a perceber que este desconforto dizia mais sobre mim do que sobre Pollyanna. A verdade é que todos nós, com o passar dos anos, perdemos essa alegria genuína de viver tão típica da infância. E está é a grande lição da obra de Elanor H. Porter: nos fazer enxergar o que deixamos para trás. 

Curiosamente, diversos personagens apresentaram exatamente a mesma reação que a minha quando foram apresentados à protagonista. Em um primeiro momento os vemos sentir um estranhamento por tamanha alegria e positividade, que julgam parecer falsa ou forçada. Mas aos poucos todos os personagens são conquistados pela inocência de Pollyanna e sua alegria de viver. 

Um dos aspectos mais interessantes é, justamente, o efeito que a criança causa em Polly e como ela paulatinamente deixa de se preocupar com seus deveres, dando espaço a um amor verdadeiro pela sobrinha. Pollyanna acaba se tornando, mesmo sem saber, um poderoso remédio para a tia, que redescobre suas prioridades e se reconcilia com o passado. 

Eleanor H. Porter fala sobre uma verdade universal — e que nos dias de hoje até pode soar como um clichê —, mas que muitas vezes optamos por ignorar. Podemos ver o copo meio cheio, ou meio vazio. Podemos escolher olhar para o lado positivo ou nos limitarmos a ver o lado ruim.

Um livro simples, mas extremamente profundo em sua simplicidade e que nos faz refletir sobre diversos aspectos de nossas vidas. No fim das contas, Pollyanna nos mostra que a vida pode ser alegre e mais leve se nos desapegarmos daquilo que nos faz mal. 

Título: Pollyanna
Autora: Eleanor H. Porter
Nº de páginas: 201
Editora: Martin Claret
Exemplar cedido pela editora

Compre: Amazon
Gostou da resenha? Então compre o livro pelo link acima. Assim você ajuda o Além da Contracapa com uma pequena comissão.

13 comentários:

Giulianna Santicioli disse...

Morro de vontade de ler esse livro, mas sempre fico adiando e até hoje não puder ler.
Realmente, acho que no início a Pollyanna também me irritaria um pouco, porém, como você disse, acho que isso diz mesmo mais sobre nós do que sobre ela, estamos tão acostumados a esconder ou simplesmente escolher não sentir felicidade que quando vemos alguém que coloca todos esses sentimentos para fora, achamos esquisito o que deveria ser normal, esse livro deve ser ótimo e finalmente vou ter a cara de pau de parar de ficar enrolando e lê-lo logo.
Beijos!

Victor N. Souza disse...

E ai Alê! Tudo bem?

Me parece um livro muito bom, ainda mais pela capa que é amarela e tem esses vetores simples e bonitos, diria que é bem clean. rsrsrs

Suas resenhas sempre sucintas e objetivas, adorei, Parabéns!


Grande abraço,
www.cafeidilico.com

Gabriela CZ disse...

Já ouvi falar muito desse livro mas nunca pensei em ler, Alê. Até agora. Isso porque sempre que ouvia os comentários sobre o otimismo da protagonista me parecia algo forçado, assim como sua primeira reação. Mas com suas suas palavras tive outra perspectiva e estou reconsiderando. Acho que vou acabar lendo. Ótima resenha.

Beijos!

Raquel disse...

Esse livro parece uma verdadeira lição de vida, já muito ouvi falar nele mas nunca li. Acho que ia ficar um pouco irritada com esse positivismo exarcebado dela, mas como disse, isso diz mais sobre nós do que sobre ela. Acho que ser positiva o tempo todo é um pouco de exagero, porque ninguém é de ferro né? Mas tentar ver o copo meio cheio é um ótimo exercício x)

Beijinhos
tipsnconfessions.blogspot.com

Felipe disse...

eu li esse livro quando era bem novinho, eu amava!
Blog Entrelinhas

Sora Seishin disse...

Oi Alê!
Que linda a capa dessa edição!
Eu sou louca para ler esse livro.

Beijos,
Sora | Meu Jardim de Livros

Isabela Carvalho disse...

Oi Alê ;)
Li o livro quando estava ano colégio ainda, há anos. Mas com essa edição linda eu me interessei demais em ler de novo *-*
Acho que essa "felicidade excessiva" da Pollyanna só não foi irritante para mim pois li quando ainda era criança, e tinha pensamentos diferentes na cabeça. Mas esse é um livro para ser lido por um leitor de qualquer idade, pois toca o coração.
Realmente é um livro "simples", mas é exatamente por essa sua simplicidade que é tão boa e leve a leitura.
Abç

Márcia Saltão disse...

Olá!
Sempre tive vontade de ler esse livro, mas ainda não surgiu uma oportunidade. Eu amei a capa, a edição está muito linda!
Acho que todos nó precisamos um pouco de positivismo na vida. Talvez o livro venha se expressar um pouco exageradamente, mas com certeza a leitura não deixará de ter seu encantamento.
A mensagem do livro deve ser muito bonita.
Ótima resenha e obrigada pela dica.
Beijos.

Carolina Garcia disse...

Oi, Alê!!!

Você trouxe hoje de volta um dos livros que mais gostava quando criança. <3
Obviamente, a minha edição não é tão bonita quanto a nova lançada pela Martin Claret. Mas eu adorava a história e tentei fazer minha irmã gostar também, só que ela nunca deu uma chance.

Enfim, acho que Pollyanna é um clássico da literatura infantil que também serve para os adultos como você posicionou.

A autora depois escreveu o "Pollyanna Moça" que nos traz a Pollyanna como uma jovem adolescente. Não é um livro ruim, mas nunca me encantou como o primeiro. Uma pena, né?

Mas fico feliz que tenha gostado dessa história também. :)

Bjs!

http://livrosontemhojeesempre.blogspot.com.br

Nicole Longhi disse...

Ola Alê,

Eu comecei a ler esse livro, mas acabei abandonando por não conseguir gostar muito de Pollyana.
Mas lendo sua resenha realmente acaba dizendo mais sobre nós do que sobre a personagem, então acho que irei dar mais uma chance a leitura.

beijinhos
She is a Bookaholic

Rissia Ribeiro disse...

Sabe eu nunca ouvi falar desse livro e pelo visto ele já é um livro bem velhinho. Achei maravilhoso que a autora tentou fazer ver que o que já tínhamos perdido no decorrer da vida, realmente ninguém consegue ser feliz sem por centro a vida não nós da esse prazer mas ver uma criança tentar ser feliz apesar de tudo acho que faz a agente ver que muitas vezes não enxergamos o lado bom das coisas. Esse livro que eu nunca tinha visto antes agora está na minha lista de leitura obrigatórias e muita obrigada pela resenha.

Naiara Fidelis Da Silva disse...

Eu li este livro a vários anos por indicação de uma conhecida. Na época eu adorei o livro e ainda fiquei com vontade de ler o Pollyana Moça para saber se era bom também. Estou com vontade de reler este livro para saber se com olhos de adulta eu ainda vou gostar.

Marta Izabel disse...

Oi, Alê!!
Gostei muito da sua resenha mas não acho que essa felicidade toda da Pollyanna, seja tão sincera assim, pois quem é capaz de viver alegre 24 horas por dia?!
Bjos

Postar um comentário

 

Além da Contracapa Copyright © 2011 -- Template created by O Pregador -- Powered by Blogger