sábado, 12 de maio de 2018

RESENHA: A Incendiária

A Incendiária Stephen King
Durante a faculdade, Andy e Vicky participam de um experimento científico promovido pelo governo americano e acabam desenvolvendo poderes psíquicos. Anos depois nasce Charlie, a filha do casal, e desde pequena ela demonstra ter herdado a pirocinese, a capacidade de criar fogo. Quando o governo descobre os poderes de Charlie, tem início uma caçada implacável e para sobreviver, pai e filha terão que fazer tudo o que estiver ao seu alcance. 

A Incendiária prende a atenção do leitor logo nas primeiras páginas, pois acompanhamos a fuga desesperada de Andy e Charlie de agentes do governo. Mesmo sem entender todas as nuances do que está acontecendo, King vai fornecendo aos poucos as respostas que o leitor deseja. Assim, o cerne da estória gira em torno da perseguição e do desenvolvimento dos poderes de Charlie. 

Charlie é uma personagem incrivelmente bem construída. Com sete anos, ela possui um poder poderoso, o qual não sabe controlar, mas que se vê obrigada a usá-lo para poder sobreviver. Ao longo do livro, vemos como as situações a que é submetida acarretam na perda da inocência e em um amadurecimento forçado

Já falamos diversas vezes por aqui como King utiliza elementos sobrenaturais que servem de gatilho para mostrar reações essencialmente humanas. Assim, os poderes psíquicos de Andy e Charlie servem como esse gatilho, colocando a trama em movimento e revelando emoções como medo, impotência e desespero. 

“— Nunca — repetiu ela com ênfase discreta.
— É melhor não falar isso, gatinha — disse Irv, olhando para ela. — É melhor não se bloquear assim. Você vai fazer o que precisa fazer. Vai fazer o melhor que puder. E isso é tudo o que pode fazer. Eu acredito que o Deus deste mundo adora dar trabalho para as pessoas que dizem “nunca”. Entendeu?”
(KING, 2018, p. 143)

O livro é narrado em terceira pessoa com alternância do ponto de vista. Assim, vemos a estória se desenvolver tanto a partir do olhar de Andy e Charlie, como do ponto de vista de agentes do governo que desejam colocar as mãos no pai e na filha. Neste ponto, saliento também que me pareceu que o autor perdeu um pouco do controle sobre a narrativa, especialmente da metade para o final, pois algumas informações me pareciam irrelevantes para o desenvolvimento da estória. 

Entre os agentes do governo, alguns deles ganham destaque e preciso confessar que é neste aspecto que me decepcionei. Um destes personagens acaba desenvolvendo uma obsessão doentia por Charlie, a qual, a meu ver, parece completamente injustificada. Ao final do livro, tal personagem desempenha um papel necessário para o desfecho da estória, de modo que fiquei com a sensação de que ele foi inserido na estória por que tinha esta função para cumprir. Ou seja, a obsessão dele me pareceu apenas uma desculpa para sua presença na estória, e não algo natural e verossímil. 

Ainda assim, A Incendiária foi uma excelente leitura, que misturou nas doses certas thriller e ficção científica. Com um ritmo intenso, que mal deixa o leitor respirar e muito menos largar o livro, King mostra mais uma vez seu talento inquestionável como contador de estórias. 

Título: A Indenciária
Autor: Stephen King
N.º de páginas: 447
Editora: Suma
Exemplar cedido pela editora

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11 comentários:

Daiane Araújo disse...

Oi, Alê.

Para a Charlie, essa fuga deve ser uma loucura, né? Já que ela não tem culpa por ter desenvolvido tais poderes, mesmo eles podendo ser um perigo constante.

Sora Seishin disse...

Oi Alê!
Esse é um dos meus livros favoritos do King. Já li 3 vezes e ler sua resenha me deixou com vontade de ler de novo!

Beijos,
Sora | Meu Jardim de Livros

Ludyanne Carvalho disse...

Uau, gostei da capa!!
Mas realmente ficção científica e thriller psicológico não fazem o meu gênero; porém, é uma ótima leitura para quem curte.

Gabriela CZ disse...

Mais um do King pra minha lista, Alê. Já gostei da Charlie. Ótima resenha.

Beijos!

Thalita Branco disse...

Olá Alê!
LI esse livro a muuuuito tempo e estou super curiosa para ler novamente, pois lendo sua resenha não percebi que não lembro de muita coisa.
Bjs

EntreLinhas Fantásticas

O Que Tem Na Nossa Estante disse...

Oi Alê, tudo bem? Não sou especialista em King, mas acho que ele usar muitos recurso do Romance em colocar personagens apenas pra cumprir um determinado papel e depois descartá-lo. A premissa do livro é boa e estou curiosa pra conferir!

BJs, Mi

O que tem na nossa estante

sophi clickn disse...

I did not know the book,but its quite interesting dear,thanks for sharing..

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Adriana Moreira disse...

Oi, Alê!
A sua resenha me fez ficar curiosa em ler a história do King, apesar de que, depois de It - A Coisa, eu me senti cansada com aquelas narrativas imensas descrevendo personagens e ambientes. Um dia, isso vai passar, espero! Até porque eu não achei ruim, ao final, o livro lido. Mas, não foi um dos meus favoritos. Talvez seja também questão de gênero de livro que não é muito o meu. Mas, enfim, voltando à sua resenha, eu fiquei curiosa pois a história de A Incendiária me lembrou de outros livros na área de ficção científica que eu gostei.
Muito obrigada por compartilhar. É quase certo que vou atrás do livro para tirar minhas próprias conclusões sobre a história!
Grande abraço,
Drica,
https://testelivroseideias.blogspot.com.br/

RUDYNALVA disse...

Alê!
Nem King é perfeito, concorda?
O mais importante é que traz um enredo meio ficção, meio sobrenatural e pelo visto, bem envolvente.
Uma ótima semana!
“Moral é o que te faz sentir bem depois de tê-lo feito, e imoral o que te faz sentir mal.” (Ernest Hemingway)
cheirinhos
Rudy
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Helena Carvalho disse...

Olá, mais uma vez parabéns pela resenha Alê, você escreve muito bem! Nossa, essa edição da Suma ta perfeita né? Quero hhahahah
Por enquanto só li um livro do King (A maldição do cigano), mas já quero ler mais. Não sabia do que se tratava A Incendiária mas agora com a resenha me chamou bastante atenção, principalmente pelo fato de misturar thriller e ficção científica, então já vai pra minha lista de próximas leituras.

Marlene Conceição disse...

Oi Alê.
Eu estou encantada com essa capa, esse tom de amarelo é lindo. A premissa também me cativou, e achei uma pena o fato de que você sentiu que o autor perdeu um pouco o controle sobre a história, mas infelizmente acontece, por outro lado, fico feliz em saber que o autor dosou muito bem a pate cientifica com thriller, ao ponto de cativar o leitor durante a história, enfim, essa é uma leitura muito esperada poor mim, espero desfrutar bastante dela.
Bjs.

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