sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Os 6 anos do Além da Contracapa em Livros


E se a história do Além da Contracapa fosse contada através dos livros e autores que nos inspiram?

2011 - Ano Agatha Christie
O ano em que tudo começou. Em que viemos com a nossa bagagem literária - que contava com os clássicos "O Caso dos Dez Negrinhos" e "O Assassinato de Roger Ackroyd" -  e demos a cara a tapa. Será que vai dar certo? Será que alguém vai ler o que escrevemos? Será que teremos fôlego para continuar? Foi o ano de perguntas tão complexas que apenas Hercule Poirot e suas células cinzentas poderiam responder. Foi o ano do mistério e de um suspense digno de ser escrito pelas hábeis mãos da Dama do Crime. Foi o ano Agatha Christie. 

2012 - Ano John Green
Ainda não tínhamos a experiência de alguns veteranos, mas estávamos começando a entender como as coisas funcionavam e encontrando a nossa identidade. E o mais importante: já havíamos pegado o gosto pela coisa. Agora o desafio já não era “será que nós temos fôlego?” e sim “será que as editoras vão gostar do nosso trabalho a ponto de apostar nele?”. Foi o ano em que descobrimos um gênero que até então não líamos e que refletia perfeitamente como nos sentíamos diante do trabalho com o blog: éramos young adults, ainda descobrindo que rumo tomar. Aquele foi o ano John Green. 

2013 - Ano Gillian Flynn 
O chão já começava a ficar mais firme e começamos a ver o blog de forma mais profissional. Estávamos mais seguros do que fazíamos, mas o planejamento também passou a ser fundamental. A essas alturas já havíamos conquistado várias das parcerias com as quais sonhávamos e com elas vieram as responsabilidades. A pilha de livros aumentava e a autora do brutal "Garota Exemplar" nos mostrou que, se quiséssemos evitar armadilhas, era necessário saber o que estávamos fazendo. Não se pode dizer que aquele ano foi um soco no estômago, mas aprendemos que a realidade de um blog literário não era tão meiga e gentil como aparentava ser. Aprendemos muito no ano Gillian Flynn.

2014 - Ano Joël Dicker 
Já tínhamos uma identidade consolidada, publicando resenhas e colunas com o nosso DNA. Mas havia chegado a hora de colocar mais tempero no caldeirão e trazer novos sabores para o Além da Contracapa. Foi a partir de 2014 que nos dedicamos a produzir vídeos com maior frequência e aos poucos fomos ganhando confiança e naturalidade diante das câmeras. Mas o maior desafio foi traduzir de ouvido um documentário inédito cujo tema era um dos nossos autores favoritos: Stephen King. Assim como em "A Verdade Sobre o Caso Harry Quebert" — que se tornou um de nossos livros favoritos da vida —, seguimos o exemplo do autor e desenvolvemos novas facetas para o blog para que a nossa história tivesse múltiplas camadas. Nada mais justo que ficasse conhecido como o nosso ano Joël Dicker. 

2015 - Ano Stephen King
Com quatro anos de vida, começamos a nos envolver em relacionamentos mais intensos. Foi o ano de consolidar paixões e até de fazer as pazes com autores que, anteriormente, não haviam nos conquistado totalmente. Foi o ano em que começamos a explorar com mais vigor terrenos que até então apenas visitávamos de passagem e nos descobrimos pertencendo a lugares até então pouco explorados. Foram noites em claro devorando terror, ficção-científica, drama e fantasia. Foi o ano em que nos redimimos com Dennis Lehanne, saudamos a literatura brasileira através de Jorge Amado e Marcelo Rubens Paiva, e lemos Stephen King como nunca. Foi também com o mestre que aprendemos que para se ter uma carreira longa, é preciso amar o que se faz. Depois de anos escrevendo livros de sucesso, King já não escreve mais por necessidade. Ou melhor: escreve, sim, por necessidade. Pela necessidade de tirar as ideias que se acumulam na mente e vê-las no papel, assustando e emocionando seus leitores fiéis. Foi naquele ano que percebemos que o blog também se tornou uma necessidade para nós, um escape para tudo aquilo que queríamos debater no mundo da literatura. Nossa essência não mudou, assim como a do mestre também não. Mas fomos nos aprimorando, sempre movidos pela vontade de fazer mais e melhor. Foi o ano em que nos inspiramos na vida de Stephen King. 

2016 - Ano Lionel Shriver
Quando alcançamos os 5 anos de idade, foi inevitável olhar para trás. São tantos os blogueiros que desistem que a blogosfera, às vezes, parece um cemitério. Mas as desistências nunca nos desanimaram e a ideia de abandonar o Além da Contracapa já tinha se tornado imaginável. Enfim alcançávamos o significativo marco dos 5 anos no mundo digital. Um mundo tão precoce e acelerado que tal idade, pelo menos para nós, já representava a maioridade. Foi nessa ocasião que percebemos que apesar de não termos um Kevin, precisávamos falar sobre o que o Além da Contracapa significava para nós. E foi o que fizemos em uma carta escrita para os nossos leitores. "O que aprendemos em 5 anos de Além da Contracapa" foi o título que demos ao posto que nos fez perceber o quanto já havíamos aprendido e o quanto ainda queríamos aprender e inventar. O quanto queríamos abraçar tudo o que o blog pudesse nos proporcional. Aquele post podia ter sido pegas, como a carta de uma mãe disposta a defender um ato abominável cometido por seu filho, mas, assim como o livro de Lionel Shriver, tomou um rumo inesperado por nós. Foi escrito sem muito planejamento e, provavelmente por isso, acabou se tornando o reflexo sincero dos nossos sentimentos naquele momento. Foi nosso ano Lionel Shriver. 

2017 - Ano Victor Hugo
Com mais de mil posts publicados e ultrapassando a marca dos 750.000 visualizações, começamos a a sentir um certo peso da idade. Ainda não podemos ser considerados um calhamaço de 1500 páginas, tampouco podemos ser comparados a "literatura universal", mas esta é a nossa utópica meta. Inspirados pela a obra-prima de Victor Hugo, levantamos nossa voz para fazer críticas sociais e abordar assuntos "espinhosos" com a maturidade que desenvolvemos ao longo desses seis anos. Assim, debatemos sobre o papel da mulher na literatura, questionamos sobre o preconceito que é usado como forma de combater o preconceito e discutimos sobre a representatividade LGBT no mundo dos livros. Muita coisa ainda está por vir em 2017. Muitas páginas para se somarem ao nosso calhamaço em construção que, no que depender de nós, sobreviverá por muitas e muitas gerações. É por isso que 2017 está sendo o ano Victor Hugo. 



PROMOÇÃO: 6 anos de Além da Contracapa


Para comemorar os 6 anos do Além da Contracapa, convidamos os nossos blogs amigos e nossas editoras parceiras para fazer uma super festa. E os presentes, é claro, vão para nossos leitores: serão 23 prêmios para 12 vencedores. A todos vocês o nosso muito obrigado e aproveitem a festa!

Regras Gerais:

A promoção terá início no dia 22 de setembro e término no dia 22 de outubro.

Para participar, basta preencher os formulários abaixo, usando sua conta do Facebook ou seu e-mail, e ter um endereço de entrega no Brasil.

A promoção é dividida em duas partes: "Em parceria com blogs" e "Em parceria com editoras". Não deixe de conferir as regras específicas para cada promoção.


A mesma pessoa poderá ser vencedora de mais de um sorteio. Basta seguir as regras e ter sorte.


O resultado será divulgado no blog e nas redes sociais até três dias após o encerramento da promoção, sendo que o sorteado será contatado por e-mail, tendo o prazo de 48 horas para fornecer seus dados e o blog se responsabiliza por confirmar o recebimento das informações. 

A Equipe do Além da Contracapa se reserva ao direito de dirimir questões não previstas neste regulamento.

EM PARCERIA COM BLOGS

Regras específicas:

Todas as entradas são opcionais.

Os livros sorteados são:
Além da Contracapa: Belas Maldições - Terry Pratchett e Neil Gaiman
Alegria de viver e amar o que é bom: O Resgate - Nicholas Sparks
Balaio de Babados: Morrer em Praga - J.B. Gelpi
Caverna Literária: A Ilha da Relíquia Sagrada - Marcello Simoni
Conjunto da Obra: Em meus pensamentos - Bella Andre
Diário de Incentivo à Leitura: Cadu e Mari - A.C. Meyer
Livro Lab: Sombras do Destino - Fernanda França
Livros: Ontem, Hoje e Sempre: A Rainha Vermelha - Victoria Aveyard
Minha Vida Literária: Machamba - Gisele Mirabai
My Dear Library: O Encantador de Flechas - Renan Carvalho
Prefácio: Vale-presente Saraiva no valor de 30 reais
The Tony Lucas Blog:  ebooks "O garoto que só queria ser amado" e "Miguel & Manuela" - Tony Lucas
Roendo Livros: Livro surpresa

primeiro sorteado poderá escolher 6 prêmios entre as 14 opções, o segundo sorteado poderá escolher 5 prêmios entre as 8 opções restantes, e o terceiro sorteado ficará com os 3 prêmios restantes. 

O prazo para envio dos prêmios é de 40 dias úteis. 



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EM PARCERIA COM EDITORAS


Regras específicas:

É obrigatório curtir a página do blog Além da Contracapa no Facebook.

As demais entradas são opcionais

Para a entrada "Tweet about the Giveaway" ser válida, é obrigatório seguir o blog e a editora no twitter. 

Os livros sorteados são:
Os livros "O Bazar dos Sonhos Ruins", "A Inexplicável Lógica da Minha Vida" e "Pollyanna" serão enviados pelo blog no prazo de 40 dias úteis. Os demais livros serão enviados pelas respectivas editoras. 






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segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Além do Além da Contracapa - Parte 2


E dando sequência às comemorações de seis anos do blog, hoje vocês podem conferir a segunda parte do  vídeo Além do Além da Contracapa, no qual compartilhamos algumas histórias de bastidores e falamos sobre como foi a produção de alguns conteúdos marcantes que vocês acompanharam por aqui. 

sábado, 16 de setembro de 2017

RESENHA: Lobo por Lobo

“Esperança. Uma palavra esquisita. No passado, tinha sido leve e delicada. Quebrada tão facilmente quanto um dedo sob a bota de um guarda. Mas agora... agora, a esperança pesa muito mais, como se o próprio Coliseu tivesse desmoronado em cima dela. Argamassa e o sofrimento. Tijolo e tempo. Entrando com tudo na cavidade torácica de Yael. O lugar que deveria abrigar seu coração.” (GRAUDIN, 2016, p. 96)

***

O Eixo ganhou a Segunda Guerra e agora a Alemanha e o Japão são as grandes potências mundiais. Para celebrar, todo ano é organizado o Tour do Eixo: uma corrida de motocicletas entre jovens alemães e japoneses. Ao vencedor, além da glória, fama e fortuna, é concedido o privilégio de conhecer o recluso Adolf Hitler. Yael é uma jovem que fugiu de um campo de concentração ainda criança e, apesar de todas as suas perdas, o que deseja não é vingança, mas sim uma forma de pôr um fim ao regime nazista e a todas as suas injustiças. Assim, ela se junta à resistência e é treinada para vencer a corrida e matar Hitler. 

O primeiro aspecto que preciso destacar é a fluidez do texto de Graudin, que chega a ser até mesmo hipnótico em alguns momentos. Geralmente, o primeiro livro de uma série se limita a introduzir os personagens e a contextualizar o cenário, porém, este não é o caso de Lobo por Lobo. Em poucos capítulos o leitor já se vê em meio a ação, acompanhando de perto a missão de Yael e sem conseguir desgrudar os olhos. 

E falando na protagonista, este foi outro grande acerto da autora, que soube desenvolver com maestria a personalidade de Yael. Graudin inseriu ao longo da estória episódios marcantes na vida da protagonista, de modo que o leitor tem uma visão muito ampla sobre sua jornada e, principalmente, sobre sua dor e suas motivações. 

Além de ser levada para um campo de concentração e ver de perto as condições degradantes do trabalho forçado, a menina também era submetida a experimentos científicos que visavam a supressão da melanina. O que o médico não esperava é que Yael desenvolvesse a habilidade de alterar sua aparência e é com esse poder, mantido em segredo, que ela consegue fugir. Mas o mais curioso é que Graudin não usa este poder apenas como um trunfo para derrotar Hitler, mas também para trazer discussões a respeito da identidade de Yael. 

Confesso que um dos meus receios com a leitura dizia respeito a competição em si, afinal, correr em motocicletas por uma trajetória de mais de vinte mil quilômetros me parecia potencialmente enfadonho no papel. Felizmente, não acompanhamos quilômetro a quilômetro da competição, mas apenas os momentos-chaves, que são significativos para o desenvolvimento da estória.

No final do livro, outro aspecto que se destacou foi o cuidado da autora em amarrar todas as pontas da trama, entregando um desfecho inteligente e alucinante, que encerra a primeira parte da estória, mas também deixa um gancho promissor para a sequência. 

Mas o que mais me marcou na leitura de Lobo por Lobo foi imaginar o cenário em que Hitler foi bem sucedido e que as atrocidades nazistas não tiveram um fim. Em tempos de extremismo, intolerância e surgimento de grupos neo-nazistas, livros como este são imprescindíveis para nos manterem alertas e nos lembrarem de um passado amargo. Aliás, registro aqui também o excelente trabalho de pesquisa feito pela autora, pois fica claro sua autoridade sobre o assunto. 

Quando Lobo por Lobo foi lançando, tinha achado a sinopse original e promissora, porém, resolvi que aguardaria o lançamento do segundo livro, Sangue por Sangue. Foi uma sábia decisão pois quando encerrei a leitura, tudo o que eu queria era ter a sequência em mãos e continuar no mundo de Graudin. 

Misturando young adult com um cenário distópico, uma dose de fantasia e elementos históricos, Ryan Graudin compôs uma obra impecável e que me surpreendeu do início ao fim. 

Título: Lobo por Lobo
Autora: Ryan Graudin
N.º de páginas: 358
Editora: Seguinte
Exemplar cedido pela editora

Comprar: Amazon - Saraiva - Submarino
Gostou da resenha? Então compre o livro pelos links acima. Assim você ajuda o Além da Contracapa com uma pequena comissão.

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Além do Além da Contracapa - Parte 1


Dando início à série de posts especiais em comemoração aos 6 anos do Além da Contracapa, neste vídeo contamos algumas das nossas histórias de bastidores. Afinal, vocês acompanham o blog, leem o nosso conteúdo, interagem conosco, mas nem sempre vocês sabem o que está por trás destes posts. Então aqui está o além do Além da Contracapa.

PS: E no final tem Erros de Gravação.



segunda-feira, 11 de setembro de 2017

RESENHA: A lógica inexplicável da minha vida

“Maggie estava arranhando a porta. Eu a deixei entrar. E depois pensei que talvez a vida fosse assim – sempre haveria algo arranhando a porta. E continuaria arranhando e arranhando até você abrir.” (SÁENZ, 2017, p. 176)

Depois de me apaixonar por “Aristóteles e Dante descobrem os segredos do universo”, eu mal podia esperar por um novo livro de Saénz. Aí veio “A Lógica Inexplicável da Minha Vida” para roubar novamente o meu coração.

É o último ano do ensino médio e Salvador está diante de uma série de mudanças nada bem vindas: não apenas seu pai adotivo e sua melhor amiga, Sam, o pressionam para escolher uma faculdade, como ele é surpreendido com a notícia de que sua avó está com uma doença terminal. Para completar, ele tem cedido a impulsos de raiva com cada vez mais frequência e não consegue entender de onde eles estão surgindo. É claro que o acontecimento dramático que recai sobre Sam e a volta de um ex-namorado de seu pai também não ajudam a amenizar esse turbilhão de emoções.

Me chame de louca quem quiser, mas alguns livros pedem por abraços no meio da leitura de tão cativantes que são. “A Lógica Inexplicável da Minha Vida” é um deles. Aos poucos você se pega apaixonado por todos os personagens. Pela confusão de Salvador, pela dor de Sam (pela amizade dos dois), por Mima – a avó – que mal conhecemos, mas que vemos o carinho que todos sentem por ela, por Vicente – o pai – que nos faz pensar “me adota também” (pela linda relação de pai e filho entre eles e pelo quão pouco importa para os dois que não haja laços de sangue entre eles).

É pela voz de Salvador que conhecemos a história e realmente não poderia haver um narrador mais adequado. Essa é a sua história. A história das suas dúvidas sobre a vida, a morte, o amor, a família, o futuro e, até mesmo, sobre quem ele é (quem quer e quem pode ser - sobre a influência do homem que o criou e do homem que lhe deu sua genética no homem que ele irá se tornar). E essa é uma das razões pelas quais se torna tão fácil se identificar com o livro: todo mundo, em algum momento da vida, já se sentiu perdido como Salvador e já se questionou muitas das mesmas coisas que ele se questiona. Além disso a temática é ampla. Ao mesmo tempo que esse é um livro sobre amadurecimento é também sobre família e amizade, sobre amor e sobre luto. Temas universais e atemporais que, através da sensibilidade de Saénz, se tornam leves em uma trama que equilibra momentos melancólicos e tristes com outros que fazem seu leitor sorrir.

Outra coisa que me agradou foi ver que a homossexualidade de Vicente nada tem a ver com trama principal. Digo que me agradou no sentido de que é bom ter um personagem LGBT no centro de um romance sem que isso signifique que a trama precise girar em torno de autoaceitação e preconceito (ao contrário do que acontece até mesmo com o absolutamente adorável “Aristóteles e Dante”). Temos um personagem gay na história, mas o papel de Vicente não é o de “o gay da história” e sim de um pai amoroso e compreensível que qualquer leitor desejaria para si.

Contando com personagens verossímeis e encantadores “A Lógica Inexplicável da Minha Vida” é um YA que nos lembra de uma fase da vida em que as perguntas eram mais abundantes que as respostas e nos faz perceber que não importa quantas respostas podemos vir a encontrar no caminho, as perguntas nunca se calarão. O que importa mesmo são as relações que construímos em meio a essas buscas.

Título: A Lógica Inexplicável da Minha Vida
Autor: Benjamin Alire Saénz
N° de páginas: 440
Editora: Seguinte
Exemplar cedido pela editora

Compre: Amazon - Saraiva - Submarino 
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sábado, 9 de setembro de 2017

RESENHA: Noturno

“‘Não sou’, disse Bryan. ‘Não sou um assassino.’
Pookie ergueu as sobrancelhas. 
‘É? Tem certeza disso?’
Bryan abriu a boca para responder, mas não saiu som nenhum. 
Porque quando parou para pensar, não tinha certeza alguma.” (SIGLER, 2017, p. 78)

***

O detetive Bryan Clauser começa a ter pesadelos vividos sobre assassinatos brutais. Porém, para sua surpresa, os pesadelos são reais e as pessoas foram mortas exatamente da mesma forma que em seus sonhos. Assim, Bryan e Pookie, seu parceiro, começam a investigar as mortes e descobrem segredos sombrios da cidade de São Francisco. Porém, quanto mais tentam desencavar a verdade, mais resistência encontram. 

Noturno começa como um típico livro policial, com cena do crime, autopsias e investigações. Mas quando a trama começa a se desenvolver, elementos fantásticos vão sendo adicionados. E quando a investigação de Bryan e Pookie os leva a acreditar em uma conspiração, o livro ganha contornos de thriller em virtude da busca alucinada dos detetives pela verdade. A mistura de policial, fantasia e thriller foi inédita para mim e Sigler soube mesclar todos os gêneros com maestria. 

Um aspecto interessante da obra — mas que talvez frustre alguns leitores — é que não temos respostas completas sobre o mundo sobrenatural de Noturno. Isso por que enquanto a investigação se desenrola, vamos formando um grande quebra-cabeça, porém, nem mesmo os detetives encontram respostas para todas as questões. Entretanto, cabe salientar que tais aspectos são meros detalhes, pois a essência deste mundo é bastante complexa e foi habilmente desenvolvida. 

Admito que, durante o início da leitura, demorei para me envolver com a estória. E mesmo que os acontecimentos fossem interessantes, parecia que pouca coisa estava efetivamente acontecendo. Mas em determinado ponto, quando as primeiras peças começam a se encaixar, Sigler consegue atiçar a curiosidade do leitor e, como se não bastasse, o ritmo da estória se torna mais intenso, prendendo a atenção. 

Quanto aos personagens, confesso que não simpatizei muito com Bryan, especialmente quando demonstrou reações exageradas para um evento que não me pareceu tão relevante assim. Já Pookie compensou no carisma, além de ser o alívio cômico da estória, me levando a gargalhar por diversas vezes. O antagonista da estória foi muito bem construído e entendemos exatamente o que motiva suas ações. 

O texto do autor é bastante fluído, entretanto, preciso registrar que houve uma certa repetição de ideias que poderia ter sido evitada. Por exemplo, se um personagem estava com raiva ou arrependido, o autor insistia neste ponto, afirmando e reafirmando tais sentimentos em diversos capítulos. Creio que se não fossem essas repetições, o texto teria ficado ainda mais dinâmico e envolvente. 

O final, apesar de um ou outro clichê, conta com uma dose extra de ação e adrenalina, fazendo com que o leitor fique sem fôlego. Além disso, o autor consegue amarrar todas as pontas da trama, criando um desfecho plausível e coerente com o desenvolvimento da estória e com a evolução dos personagens. 

Noturno foi uma leitura que demorou a engrenar, mas, depois que engrenou, me envolveu completamente e não consegui mais largar o livro. Com uma trama complexa, bons personagens e texto envolvente, Noturno se mostrou uma ótima forma de ser introduzido a obra de Scott Sigler. 

Título: Noturno
Autor: Scott Sigler
N.º de páginas: 499
Editora: DarkSide Books
Exemplar cedido pela editora

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