segunda-feira, 23 de abril de 2018

Quem vem para o jantar? # 32

"Quem vem para o jantar?" é a coluna do Além da Contracapa em que um jantar fictício se torna a ocasião em que personagens e autores interagem em encontros inusitados. 

Assim que conheci Chris Shane, a primeira coisa que ele me pediu foi para apresenta-lo a Hercule Poirot, o que me pareceu bastante natural. Afinal, Chris era agente do FBI e investigava casos de homicídio, de modo que conhecer Poirot seria uma experiência inesquecível. Enviei o convite para Poirot e Hastings, mas apenas o detetive confirmou presença, de modo que coube a mim a tarefa de registrar improvável e curioso encontro.

Estávamos em um pequeno café em Nova York quando Chris chegou e, de tão entusiasmado que estava, sequer me deixou fazer as apresentações.

— Monsieur Poirot, que honra conhece-lo — disse ele estendendo a mão para o detetive belga.

Como Poirot ficou olhando confuso para a mão robótica, apressei-me para explicar:

— Este é Chris Shane, um agente do FBI e admirador do seu trabalho.

— O quê? — perguntou Poirot surpreso. — Agora robôs estão solucionando crimes neste país? Duvido que isto dê certo. Apenas células cinzentas de verdade conseguiriam desvendar um homicídio.

Fiquei sem reação e sem saber como contornar a situação. Chris, no entanto, não parecia chateado e ficou claro que já ouvira coisas piores. Além disso, creio que sua admiração pelo detetive tornava qualquer deslize social perdoável.

— Concordo plenamente com o senhor — disse Chris enquanto se sentava a nossa frente. — Acontece que fui acometido por uma doença que aprisionou minha mente saudável em um corpo que não responde a nenhum comando. A solução foi encontrada pela ciência: através de um implante cerebral, tenho a capacidade de controlar este robô e fazer qualquer coisa que faria sem esta doença. Inclusive solucionar crimes.

— Implante cerebral? — questionou Poirot sem esconder sua desconfiança. — Acho que nunca vou entender esses tempos modernos. Então, quer dizer que suas células cinzentas se encontram perfeitas?

— Exatamente — respondeu Chris.

— E como você investiga um crime? Parece-me inconcebível que o senhor consiga descobrir todos as pistas deixadas na cena do crime sem estar fisicamente no local.

— Na verdade, creio que a tecnologia tornou nosso trabalho ainda mais preciso. Veja bem, com o auxílio deste C3 ... este robô que o senhor está vendo — explicou Chris ao reparar no olhar confuso do detetive — tenho a capacidade de gravar e fazer um escaneamento da cena do crime. Assim, podemos recriá-la a qualquer momento sem correr o risco de incorrer em falsas memórias ou depender de relatórios incompletos.

— De fato, está parece ser uma ferramenta promissora — reconheceu Poirot a contragosto, mas sem argumentos para refutar a lógica de Chris.

— Por que o senhor não nos acompanha por um dia? Eu e minha parceira estamos investigando um caso bem intrincado. O senhor certamente achará bastante desafiador e poderá ver na prática como trabalhamos.

— Um caso intrincado, é? Todo mundo sabe que Hercule Poirot jamais se nega a um desafio — disse o detetive levantando e colocando o chapéu.

Me levantei logo em seguida e percebi que aquele seria um dia agitado. E mais do que tudo, um dia memorável: quem mais teria o privilégio de ver uma parceria dessas em ação?


Não deixe de conferir a resenha de Encarcerados.



sexta-feira, 20 de abril de 2018

RESENHA: Os Últimos Mafiosos

Os Últimos Mafiosos / John Follain
Existem alguns temas que sempre despertam meu interesse. A máfia é um deles. Além dos filmes e livros de ficção, já li alguns livros sobre a trajetória real de organizações criminosas, tanto na Itália quanto nos Estados Unidos. Por isso, quando descobri “Os Últimos Mafiosos” fiquei imediatamente interessada, embora tenha deixado o livro parado por anos na minha estante, esperando que o momento para a leitura chegasse.

Escrito pelo jornalista John Follain, o livro conta os eventos que levaram à ascensão e à queda dos Corleoneses, o maior clã da Cosa Nostra, surgido na cidade de Corleone, na Itália, após a Segunda Guerra Mundial. Sem pressa, o autor nos conduz de 1905 (ano de nascimento do médico Michele Navara que deu início ao clã) até 2006, quando foi preso o último dos grandes chefões, Bernardo Provenzano. Nesse intervalo, alguns nomes se destacam, principalmente os do juiz Falcone (que pagou com a própria vida pelo seu trabalho contra a organização criminosa) e o de Salvatore Riina (o mais violento dos chefões).

No livro de Follain fica claro que toda a atuação da máfia está relacionada a uma maneira peculiar de enxergar o poder. Não tem a ver apenas com o dinheiro proveniente das ações criminosas (do tráfico, dos subornos, dos pagamentos por proteção...), mas também com status. Não tem a ver apenas com se manter fora das grades, mas também com preservar uma reputação que vem sido construída ao longo de décadas. 

“Mate os inimigos um a um, sempre que surgir uma oportunidade favorável para eliminá-los. E faça tudo de uma maneira ‘formalmente’ correta, de modo que nem sequer os amigos mais íntimos da vítima possam reagir, pois supostamente estão errados.” (FOLLAIN, 2010, p. 122)

A lealdade e a família estão acima de todas as coisas para um mafioso. Por isso, casos extra-conjugais são mal vistos e um homem deve proteger sua família acima de tudo. Traidores não serão poupados, assim como aqueles que se atravessarem no caminho e atrapalharem os planos da organização. Assim, a violência acaba sendo o meio de limpar a sujeira que se espalha onde as operações acontecem e o medo um dos seus principais instrumentos de trabalho. É um código de honra que sobrevive através do medo, do respeito e do silencio e não é à toa que os mafiosos se consideram “Homens de Honra”.

“Se um homem de honra tem que matar, ele mata. Sem questionar a si mesmo ou a quem quer que seja. Sem demonstrar compaixão. Se você hesitar entre matar ou não matar, também será um homem morto.” (FOLLAIN, 2010, p.99)

Embora o tema seja extremamente interessante, me estendi bastante na leitura e em alguns momentos perdi o folego (não no bom sentido). Isso porque, para mim, o calcanhar de Aquiles do livro foi seu gigantesco elenco. Claro que isso é de se esperar em um livro que narra eventos reais ao longo de um século, mas confesso que em alguns momentos eu me perdia sobre quem era determinado “personagem”, como ele havia surgido naquele cenário e qual sua ligação com os acontecimentos prévios. Citar tantas pessoas é inevitável em um livro como esse e também não é possível detalhar a jornada de cada um que aparece ao longo dessa trajetória, mas talvez a confusão pudesse ter sido resolvida com uma espécie de “Lista de Personagens”.

De um jeito ou de outro, não tira o mérito do livro de John Follain. Para mim, o que mais fica da leitura não são os episódios e acontecimentos em si (os golpes, atentados, delações, assassinatos...), mas sim a maneira de pensar desses homens e das mulheres que os cercam. Para quem gosta do tema, “Os Últimos Mafiosos” é uma leitura fascinante.

“Você deve me perdoar pela distinção que faço entre a máfia e o crime comum, mas é importante para mim. É importante para todo mafioso. Nós somos mafiosos, os outros são apenas ralé. Nós somos homens de honra. E não tanto porque fizemos um juramento, e sim porque somos a elite do crime. Somos extremamente superiores aos criminosos comuns. Somos os piores de todos!” (FOLLAIN, 2010, p.33) 

Título: Os Últimos Mafiosos: a ascensão e queda da família mais poderosa da máfia.
Autor: John Follain
N° de páginas: 367
Editora: Larousse



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terça-feira, 17 de abril de 2018

RESENHA: Encarcerados

Encarcerados John Scalzi
Desde que li Guerra do Velho, me tornei fã incondicional de John Scalzi e estava extremamente curioso para conferir Encarcerados, uma promissora mescla de ficção científica e policial. 

A Síndrome de Haden matou mais de 400 milhões de pessoas e os sobreviventes precisaram lidar com uma terrível sequela: o encarceramento, ou seja, suas mentes saudáveis ficaram presas em corpos incapazes de se movimentar. A situação é contornada pela tecnologia, que permite que os hadens transfiram suas consciências para corpos robóticos e assim possam viver em sociedade. É neste contexto que conhecemos o haden Cris Shane que, em seu primeiro dia de trabalho no FBI, começa a investigar o assassinato de um homem em um quarto de hotel em Washington.

Como esperado de Scalzi, a narrativa é extremamente fluída e envolvente. Em poucas páginas o leitor já está completamente fascinado por este novo mundo e suas infinitas possibilidades. Aliás, é impossível não se impressionar com a originalidade do pano de fundo criado pelo autor. 

Outros dois aspectos também se destacaram. O primeiro deles é o bom humor presente na narrativa, que em diversos momentos me fez rir alto. O segundo é a quantidade de reflexões que a estória provoca, tais como identidade, evolução e os limites entre a moral e a tecnologia.

"— Estamos trabalhando em pesquisas para desencarcerar os acometidos pela Haden. [...]. Para libertar os corpos e trazê-los de volta ...
— Trazer-nos de volta de quê, exatamente? — questionou Hubbard. — De uma comunidade de 5 milhões de pessoas nos Estados Unidos e 40 milhões em todo o mundo? De uma cultura emergente que interage com o mundo físico, mas é independente dele, com preocupações, interesses e economia próprios? Você tem ciência de que um grande número de haddens não tem lembrança nenhuma do mundo físico?"(SCALZI, 2018, p. 96)

O protagonista é extremamente cativante, sendo um excelente condutor da estória. É através de seu olhar que entendemos o funcionamento deste universo, bem como acompanhamos a evolução da investigação policial e seus desdobramentos. 

A estória de Scalzi é um típico “whodunit”, ou seja, o livro gira em torno de descobrir quem é o responsável pelo assassinato. Apesar da identidade do assassino não ter me surpreendido, fiquei impressionado com a forma como a trama foi construída e amarrada. Além disso, saliento que o autor preferiu manter a verossimilhança do que forçar reviravoltas na estória apenas para surpreender o leitor. 

Encerro afirmando que John Scalzi partiu de um conceito interessantíssimo, mas também acertou em cheio no desenvolvimento da estória. Encarcerados é uma mistura bem sucedida de ficção científica e policial, que me prendeu do início ao fim e que provou que Scalzi é um dos autores mais criativos e originais da atualidade.  

Após encerrada a leitura, obviamente fiquei com um gostinho de quero mais e para minha alegria descobri que há uma continuação (Head On, lançado este mês nos Estados Unidos). Mas fique tranquilo, pois a estória de Encarcerados tem início, meio e fim, não ficando ganchos para o segundo livro. Na verdade, creio que as estórias dos livros serão independentes entre si, apenas dividindo o mesmo contexto e protagonista. 

Título: Encarcerados
Autor: John Scalzi
N.º de páginas: 326
Editora: Aleph
Exemplar cedido pela editora

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sexta-feira, 13 de abril de 2018

[Dramas Familiares] para quem não gosta de [dramas familiares]

Todo leitor se identifica com alguns gêneros literários mais do que com outros. Mas existem alguns livros que são capazes de abrir os olhos dos leitores para gêneros dos quais ele nunca gostou, justamente por mostrarem uma faceta diferente do gênero, por terem algo a mais. Livros que fazem o leitor que diz “Não gosto deste tipo de livro” se apaixonar justamente por um livro deste tipo.

Foi pensando nisso que o Além da Contracapa criou uma nova coluna: “[...] para quem não gosta de [...]”, na qual faremos uma seleção de livros de um determinado gênero ou temática que podem agradar até mesmo quem costuma fugir deles. 

Nem todo leitor gosta dos conflitos dos dramas familiares. Mas há livros do gênero que usam do núcleo familiar como estopim para situações que misturam muitos outros elementos. É pensando nisso que elegemos três livros que irão agradar mesmo aqueles que não gostam do gênero.

Em uma festa de colégio que reúne os pais das crianças, uma pessoa morre. O leitor não sabe se foi acidente ou assassinato, mas, acompanhando a história desde os seis meses anteriores, logo percebe que as duas hipóteses são válidas, que os candidatos à misteriosa vítima são muitos e que são inúmeros os gatilhos que podem disparar para que a tragédia aconteça. Sim, os acontecimentos giram em torno dos dramas de três mulheres e suas famílias e abordam temas sérios como bullying e abuso sexual, mas enquanto os dramas se desenrolam o leitor é guiado pelo mistério “Quem morreu? Quem matou?” ao melhor estilo das histórias policiais. 

A trama é pesada: cinco irmãs (a mais nova com 13, a mais velha com 17 anos) cometem suicídio no período de um ano. A história gira em torno da família Lisbon e de como cada suicídio repercute sobre os pais e sobre cada uma das meninas. Quem nos conta a história é um grupo de meninos que, na época das mortes, era apaixonado pelas meninas. Agora, anos depois, eles relembram os acontecimentos com um olhar melancólico, fascinado e distante próprio de homens adultos. Por isso, o verdadeiro ponto de destaque de “As Virgens Suicidas” é a sensibilidade com que a história é narrada, sendo delicada e bela, apesar de tão trágica. Um livro único, do tipo que emociona e marca o leitor para o resto da vida. Um dos meus favoritos de todos os tempos.

Uma família marcada por um misterioso Drama (assim mesmo, com D maiúsculo). Essa é basicamente a premissa de “O Livro dos Baltimore” (minha melhor leitura de 2017) que conta a história dos Goldman, em especial de três primos, e do trágico acontecimento que mudou os rumos da vida de todos. Sim, temos muitos dramas familiares, mas também temos muito mistério neste quebra-cabeças que abrange décadas de história mesclando gêneros de tal forma que é difícil saber onde termina um e onde começa o outro.



segunda-feira, 9 de abril de 2018

RESENHA: As Oito Montanhas

Em As Oito Montanhas conhecemos Pietro, um jovem que, durante os verões, parte para a pequena cidade de Grana com sua família. Lá ele conhece Bruno e os garotos passam a desbravar a região junto, se aventurando pelas montanhas. Durante os verões, eles também acompanham o pai de Pietro em trilhas pelos Alpes italianos. 

Acompanhamos os personagens por um período de trinta anos, vendo como a vida deles se cruzaram em momentos cruciais. Pietro ocupa a posição de protagonista e narrador, de modo que o leitor vê de perto seu amadurecimento e evolução. Entretanto, preciso admitir que os personagens não me cativaram. Atribuo isto, pelo menos em parte, ao fato de que o leitor não os conhece de verdade, mas apenas a versão de suas vidas na montanha. 

Também preciso destacar é que a narrativa de Cognetti não me envolveu. Sou da opinião que quando se trata de descrições, a regra de ouro é "menos é mais". E algo que me incomodou durante todas a leitura de As Outo Montanhas foram os incontáveis parágrafos que contavam com descrições, e não apenas sobre o cenário, mas até mesmo de informações irrelevantes para o desenvolvimento da estória, como a produção de queijos ou a construção de uma casa. Por isso, achei a leitura monótona em diversos momentos. 

"No segundo dia de caminhada apareceram, no fundo do vale, os picos do Himalaia. Então, vi as montanhas como haviam sido no alvorecer do mundo. Montanhas pontudas, afiadas, como se tivessem acabado de ser esculpidas pela criação, ainda não polidas pelo tempo. A neve iluminava o vale do alto dos seus seis ou sete mil metros. As cascatas precipitavam das saliências e incidiam nas paredes rochosas; terra vermelha descolava-se das encostas e acabava fervilhando no rio. No alto, indiferentes àquele tumulto, as geleiras vigiavam tudo". (COGNETTI, 2017, p. 184)

Creio que a intenção do autor era discutir temas como amizade, relações familiares e os conflitos de geração. Porém, fiquei com a sensação de que tais assuntos eram maiores do que a própria estória que Cogneti tinha para contar. A meu ver, nenhum livro é bem sucedido se as lições de vida importam mais do que a estória em si. 

Outro problema — o qual afetou diretamente o impacto das reflexões propostas pelo autor — é que não “comprei” a amizade dos personagens: pessoas que tem poucas coisas em comum e que se encontravam esporadicamente. Minha impressão foi de que a amizade deles foi descrita com entusiasmo demais considerando os eventos retratados. 

Quando encerrei a leitura, fechei o livro e fiquei me perguntando qual era o objetivo do autor. Os personagens são blasé; os conflitos são mundanos; as reflexões não impactam e a estória parece vazia. Apesar do livro ter sido premiado na Itália, o livro não me agradou e me pareceu claro tratar-se de um livro de estréia. 

Título: As Oito Montanhas
Autor: Paolo Cognetti
N.º de páginas: 253
Editora: Intrínseca
Exemplar cedido pela editora

sexta-feira, 6 de abril de 2018

RESENHA: O Homem de Giz

Misteriosos sinais e um grupo de amigos que encontra um corpo em uma cidade pequena. A premissa é “stephenkingiana” demais para não me atrair e fez isso ainda no final do ano passado quando descobri que a Editora Intrínseca havia adquirido os direitos de publicação de "O Homem de Giz", livro de estreia de C.J. Tudor.

Em 1986, Eddie e seus amigos têm apenas 12 anos. Para dar mais emoção aos seus dias, passados entre a escola e pequenas aventuras, a gangue formada por Mickey, Nicky, Gav, Hoppo e Eddie encontra um jeito de se comunicar secretamente através de desenhos de homens de giz. Um dia, um recado misterioso usando o código do grupo os leva até o bosque onde encontram o corpo desmembrado de uma menina da cidade. Está tudo lá. Menos a cabeça. 30 anos depois, os amigos recebem novamente os desenhos de homens de giz, mas antes que possam saber quem os deixou, um deles é encontrado morto.

Intercalando o ano de 1986 com o de 2016, através da narrativa em primeira pessoa de Eddie, Tudor nos conduz pelos eventos que marcaram a infância do grupo, nos deixando conhecer também os adultos que se tornaram.

De maneira bastante orgânica, a autora insere diversos conflitos e personagens, de modo que não sabemos quais deles serão essenciais para desvendarmos o mistério. Tudo o que sabemos é que se Eddie escolhe falar sobre esses episódios, tantos anos depois, é porque alguma importância eles têm. Assim, o trágico acidente com a menina no parque de diversões, o misterioso Sr. Holloran (homenagem a “O Iluminado” já que a autora é uma fã de King?), a morte do irmão mais velho valentão de Mickey e o afastamento dele do grupo, Nicky e seus acidentes domésticos, os protestos comandados pelo reverendo (pai de Nicky) contra o trabalho da mãe de Eddie e sua clínica de aborto, a morte do cachorro de Hoppo, são todos eventos de 1986 que se somam aos intrigantes homens de giz que reaparecem em 2016, assim como a volta de Mickey à cidade e a relação de Eddie com sua inquilina, Chloe. Nesse vai e vem, “O Homem de Giz” se mostra aquele tipo de livro envolvente que se você não precisar interromper a leitura, você não interrompe.

“Minha vida foi definida pelas coisas que não fiz, pelas coisas que não disse. Acho que o mesmo acontece com várias pessoas. Nem sempre o que nos molda são as nossas realizações, e sim as nossas omissões. Não necessariamente as mentiras, apenas as verdades que não dizemos.” (TUDOR, 2017, p.138)

O próprio Eddie diz em um dado momento que aos doze anos os seus amigos são o seu mundo, então esse é outro aspecto positivo de acompanharmos os eventos com 30 anos de intervalo. Apesar de nos contar como se tudo estivesse acontecendo naquele momento, Eddie já tem um certo distanciamento dos eventos e dos próprios amigos o que lhe permite enxergar as coisas com maior amplitude.

No final, todas as pontas se amarram e é preciso reconhecer certa audácia da autora em alguns aspectos. Ainda assim, não sei exatamente porque, fiquei querendo algo a mais. Quando terminei a leitura, senti que se tratava daquele tipo de livro que logo cairia no esquecimento, embora durante a leitura eu estivesse 100% envolvida, querendo sempre ler mais um capítulo.

O Homem de Giz” não é aquele suspense que vai marcar a sua vida, mas você vai curtir cada segundo.

Título: O Homem de Giz
Autora: C.J. Tudor
N° de páginas: 269
Editora: Intrínseca
Exemplar cedido pela editora

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quarta-feira, 4 de abril de 2018

O que vem por aí - abril

 

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