sábado, 22 de dezembro de 2012

RESENHA: Drive

“Ele existia a um passo ou dois do mundo normal, na maior parte das vezes passava despercebido, uma sombra, invisível. O que quer que possuísse, podia carregar nas costas ou simplesmente fugir daquilo. O anonimato era o que ele mais amava na cidade, fazer parte de tudo aquilo e ao mesmo tempo estar à margem.” (SALLIS, 2012, p. 24).

***

Acho que nunca mencionei que amo dirigir, certo? Poucas coisas me entretêm mais do que estar sentado atrás do volante, acelerar o carro, trocar a marcha e ouvir o ronco do motor. Sendo assim, um livro que prometia a união entre velocidade e suspense despertou meu interesse imediatamente.

De regra, não transcrevemos as sinopses dos livros em nossas resenhas. Porém, desta vez abrirei uma exceção. Diz a contracapa do livro:

Um dublê de Hollywood encontra mais adrenalina como piloto de fuga durante assaltos, mas, quando um roubo dá errado, suas habilidades para se safar e sobreviver são colocadas em jogo. Do autor best-seller James Sallis, Drive é um romance cheio de adrenalina, um novo pulpfiction, no qual assassinatos, velocidade e estratégia se misturam em uma narrativa cinematográfica que deixará o leitor sem fôlego.

Agora, explico por que transcrevi a sinopse: eu simplesmente não entendi o livro. Para se ter uma ideia, havia iniciado a leitura em fevereiro, quando estava de férias. Porém, após ler cinquenta folhas sem entender nada, imaginei que o fato de estar dividindo o quarto de hotel (leia-se: TV ligada e conversas constantes) tivesse afetado minha capacidade de compreensão, de modo que desisti do livro. Nove meses depois, decidi que havia chegado a hora de dar uma nova chance ao livro e, ao finalizar a leitura, percebi que o problema nunca foi minha capacidade de compreensão.

Dizer que o livro é confuso é ser mais do que eufemista. A narrativa do presente é alternada com capítulos de flashbacks e de flashfowards, todavia não há uma marcação de tempo. Quando o leitor inicia o capítulo, simplesmente não sabe em que parte do tempo aquela cena está ocorrendo.

Mas nada consegue superar a falta de estória de Drive. O piloto (isso mesmo, ele não tem nome) é dublê em Hollywood e faz alguns trabalhos alternativos como motorista de fuga em assaltos. Foi isso que eu entendi da estória. A partir daquele “quando um roubo dá errado” mencionado na sinopse, o livro passa de confuso para incompreensível.

A impressão que fiquei é que o autor, em uma madrugada de insônia ou após beber algumas, teve uma ideia e escreveu o livro, e em seguida publicou sem revisá-lo. Sinceramente, esta é única explicação que encontrei para tanta incoerência.

Título: Drive
Autor: James Sallis
N.º de páginas: 160
Editora: LeYa


7 comentários:

Aione Simões disse...

Oi Alê!
Que pena que o livro foi tão incompreensível assim. É horrível quando isso acontece!
Não entendo muito do assunto, mas me chamou a atenção, na sinopse, a menção ao "Pulp Fiction". Como só conhecia o filme, fui procurar o porquê dele assim ser chamado e encontrei o que seria o "Pulp". Aparentemente, "Drive" se encaixa na descrição e, talvez, seja por isso que ele é tão incompreensível assim. Até onde eu entendi, o gênero se caracteriza por não ter uma cronologia linear e pela violência. Enfim, vou deixar o link do Wikipedia onde li à respeito, vai que isso ajuda a clarear o livro pra você: http://pt.wikipedia.org/wiki/Pulp (não é a fonte mais confiável do mundo, mas quebra um galho :P).
Tem esse trecho também, que tirei do link sobre o filme:
"O filme, cujo título é uma referência às revistas Pulp, populares durante a metade do século XX e caracterizadas pela sua violência gráfica, é conhecido por seus diálogos ricos e ecléticos, mistura irônica de humor e violência, narrativa não-linear, uma série de alusões a outras produções cinematográficas e referências à cultura pop.[4][5]" (http://pt.wikipedia.org/wiki/Pulp_Fiction_-_Tempo_de_Viol%C3%AAncia)
De qualquer forma, não duvido de você!! O livro deve ser pra lá de confuso mesmo!
Beijão!

Enfim Shakespeare disse...

Oie, tem selinho lá no Blog para você.

http://enfimshakespeare.blogspot.com.br/2012/12/enfim-shakespeare-escreve-um-diario-meme.html

Beijos

Ana Ferreira disse...

Alê, acho extremamente decepcionante quando colocamos grandes expectativas em cima de um livro e acabamos percebendo que, ao fim, ele não era nada daquilo que esperávamos. É inevitável também, mas como você bem falou, sempre tentamos arrumar uma desculpa. haha Pelo visto, não era sua capacidade de compreensão mesmo.
De minha parte, não leria "Drive" de forma alguma, pois sou muito pouco chegada em assuntos que digam respeito a carros e tudo o mais.
Acho que o enredo deve funcionar melhor no filme.
Ótima resenha!
Beijo!

Eduarda Menezes disse...

Nossa haha
Só posso ficar aliviada quando resisti ao desejo de comprar esse livor algumas semanas atrás. Eu queria ver o filme, mas tanta gente comentou que era péssimo que acabei desistindo. Aí depois fiquei pensando "o filme pode ser ruim, mas o livro deve ser melhor". Pelo visto os dois são equivalentes. Deve ser uma completa confusão esse estilo narrativo do autor. Se, logo você, uma pessoa que se interessa pelo tema, desgostou tanto assim, eu vou passar longe!
Gostei muito da resenha, Alê!
Beijos!

Pumpkin xD disse...

Que... que... coisa ambígua ao ler a resenha! haha
Realmente parece ser totalmente incompreensível este livro, mas até que me bateu uma curiosidade em ler...
Ou talvez só ver o filme mesmo (:
Beijo

Nardonio disse...

Eu ri com essa resenha!!
Jamais iria imaginar que esse livro, que a princípio, parecia ter uma história cheia de adrenalina, não passou de um fiasco total. Nunca cheguei a ter essa sensação após uma leitura. É realmente uma pena que essa história tenha sido tão mal aproveitada.

Seguidor: DomDom Almeida
@_Dom_Dom

Luiz Claudio Alves Farias disse...

Estou lendo o livro Drive, a história lembrar mais um relato recheado de lembranças de um motorista de Hollywood, que tem uma dupla identidade: a primeira de motorista de filmes e a segunda de motorista de fuga de assaltos, que ao mesmo tempo ele trás para si as lembranças de seus relacionamentos com amigos e colegas, passa por diversas situações de conflitos existenciais e com as autoridades e a repressão aos crimes cometidos.

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