sábado, 15 de agosto de 2015

RESENHA: Pare de Acreditar no Governo

“Quanto mais o governo intervém na economia, menos a sociedade produz riqueza e prospera; quanto menos prospera, maior o grau de pobreza; quanto maior o grau de pobreza, menor o nível de escolaridade; quanto menor o nível de escolaridade, maior a preferência pela intervenção do Estado; quanto mais intervenção do Estado, maior a interferência do governo nas diversas esferas da vida social, e não apenas política e econômica. E assim o ciclo se completa para ser reiniciado.” (GARSCHAGEN, 2015, p. 256)

***

De um tempo para cá tenho me interessado muito por dois assuntos: economia e política, e em especial seu ponto de intersecção, ver como um afeta o outro em um ciclo contínuo. Assim, quando o livro Pare de Acreditar no Governo foi lançado, não tive dúvidas de que precisava lê-lo. 

O cerne da obra é investigar o motivo pelo qual o brasileiro, apesar de todo o seu desrespeito e descrença nos políticos e nas instituições políticas, ainda assim espera que o Estado, formado por aqueles mesmos políticos, resolva todos os seus problemas. Para compreender tal paradoxo, Bruno Garschagen faz um apanhado histórico, investigando as origens da natureza intervencionista do Estado brasileiro e suas consequências. 

Na introdução, o autor deixa claro que escreveu o livro para leitores leigos, que gostariam de conhecer os eventos políticos de nossa nação por meio de uma abordagem mais acessível. Logo na sequência, afirma que sua obra é despretensiosamente ambiciosa e sua avaliação é certeira. Apesar da extensa pesquisa que o autor fez, não espere encontrar um tratado que se aprofunde no tema. 

O fator que desagradou em Pare de Acreditar no Governo é que Garschagen não apresenta os fatos, mas sim a sua opinião lastreada nos fatos. Por isso mesmo, senti falta de um pouco de imparcialidade, pois seus julgamentos e juízos de valores estão presentes em toda a obra. 

Para o autor, quanto maior o nível de intervenção do Estado, mais problemas este irá causar na vida do cidadão. Concordo com tal visão, e acredito que ela faça sentido especialmente no que diz respeito ao comércio internacional. Poderíamos ter acesso a produtos de excelente qualidade a preços acessíveis se não fossem as intervenções do Estado, cobrando alíquotas estratosféricas com intenção de proteger a indústria nacional e a balança comercial. 

Porém, a meu ver, isso não quer dizer que toda a intervenção seja necessariamente ruim. A atuação do Estado na economia pode se dividir em livre-cambismo (controle mínimo) e protecionismo (controle máximo), e digo sem medo de errar que todos os países no mundo utilizam medidas protecionistas para proteger suas economias, em maior ou menor grau. Tal atitude é normal, porém, o problema é quando as medidas de intervenção passam de eventuais a corriqueiras, como é o caso do Brasil. 

A grande pergunta que Pare de Acreditar no Governo suscita é até que ponto o Estado deve intervir (ou se deve intervir) nas mais variadas facetas da vida em sociedade. Um fato fica claro: quanto mais direitos exigirmos, maior e mais dispendioso o Estado se tornará. Nesse sentido, o autor cita como exemplo as manifestações de julho de 2013: a primeira reivindicação foi sobre o transporte público e a solução proposta pelos manifestantes era o passe livre, bancado pelo governo. Um governo que não consegue manter sequer a saúde e a educação de qualidade, conseguiria bancar o transporte público? A resposta é óbvia. E mesmo que o Estado assumisse para si esta obrigação, o que iria acontecer? Mais tributos. Por isso, Garschagen salienta que quanto mais a população pede, mais o Estado cresce e se torna o motor da sociedade. Por outro lado, se a iniciativa privada pudesse atuar em um ambiente de verdadeira livre concorrência, será que os serviços não teriam melhor qualidade a um preço mais acessível? São estes e outros questionamentos do autor que nos fazem perceber o lado nefasto das intervenções estatais. 

Por isso, Garschagen defende implicitamente um Estado mínimo, aquele que faz apenas o necessário para manter a ordem e os serviços típicos de Estado, como a segurança e a justiça. Do meu ponto de vista, creio que devemos encontrar um equilíbrio. Não precisamos de um Estado ausente, mas também não precisamos de um Estado paternalista, que nos atenda (ou tente atender) em todas as necessidades. 

Apesar de eu não concordar com todas as suas posições, Bruno Garschagen certamente deve ser parabenizado por dar início a um debate de extrema importância mas que vinha sendo ignorado: qual deve ser o tamanho do Estado em nossa sociedade? 

“A diminuição da importância da política formal e do governo exige a redução e limitação de poderes políticos, econômicos e legais, mas também requer, paralelamente, uma mudança de mentalidade que oriente uma mudança cultural.” (GARSCHAGEN, 2015, p. 272)

Título: Pare de Acreditar no Governo (exemplar cedido pela editora)
Autor: Bruno Garschagen
N.º de páginas: 320
Editora: Record

21 comentários:

Ariane Reis. disse...

Oie Alê =)

Eu sempre gostei de política, e realmente nos últimos tempos o nosso cenário atual anda um prato cheio para quem gosta do tema. Acredito que o grande problema do nosso país é que as pessoas continuam debatendo o assunto como se fosse um clássico de futebol, e não de forma séria como ele pede.

Não conhecia o livro, mas com certeza ele é um leitura super válida para quem se interessa pelo o assunto e se preocupa com o futuro do nosso Brasil. Dica anotada!

Beijos;***

Ane Reis.
mydearlibrary | Livros, divagações e outras histórias...
@mydearlibrary




Becca Martins disse...

Oi Alê,
Ao contrário de você, eu não gosto muito dessas coisas de economia e poítica, mas é bem interessante o autor querer abordar um tema assim para que possa ser discutido.
Realmente é muito difícil alguém concordar com todas as imposições propostas, por isto é compreensível que você não tenha concordado com todas as visões dele.
Acho que vou deixar o livro passar, geralmente não sou de sair muito da minha zona de conforto..
Beijos!!
umlugarparaleresonhar.blogspot.com

Luis Carlos disse...

Confesso que não me sinto atraído por livros que se tratam de política (sei que deveria me interessar mais no assunto, mas fazer o que hahah), porém vi que esse livro poderia me agradar. Não vou dizer que irei lê-lo imediatamente, mas adoraria lê-lo algum dia, pois aparenta conter um ótimo conteúdo!

Gabriela CZ disse...

Esse livro me despertou bastante curiosidade logo que foi lançado, Alê. Também tenho notado como muitas pessoas vem criticando o governo e ao mesmo tempo usando e exigindo benefícios do Estado, criando um grande paradoxo popular. Acho que mesmo que o autor tenha abandonado a imparcialidade a leitura vale a pena, fica a critério do leitor decidir se concorda ou não. E me pareceu que a abordagem foi válida. Ótima resenha.

Abraços!
http://constantesevariaveis.blogspot.com.br/

Inês Gabriela A. disse...

Olá,
Livro sobre política é sempre um acréscimo, concordando ou não com a opinião do autor, eu sempre me interesso por um título como esse. Toda discussão é válida e fico feliz em saber que o autor levantou questões pertinentes.
Beijos.
Memórias de Leitura - memorias-de-leitura.blogspot.com

Livros leituras e leitores disse...

Livros nesse gênero sempre nos fazem crescer um pouco mais.
Parece ser uma ótima pedida!
Beijos
Dri

Andresa Linhares disse...

Olá!

Que livro, que leitura! Adorei a premissa, me deixou super curiosa, apesar de fugir dos gêneros que costumo ler. Parabéns pela resenha, super bem escrita.

Beijos, And!

Blog Cantinho da And

Diane disse...

Olá ...

Não gosto muito desse tema , principalmente nos dias atuais que o país está dividido em uma "guerra partidária " ...
Acho que esse é o tipo de livro que não me atrai , mas cada um tem um gosto :)
Beijos

http://coisasdediane.blogspot.com.br/

Mariele Antonello disse...

Achei super interessante esse livro, mas não curto livros que falam de política e economia, fico meio que sem entender, pois não tenho conhecimento sobre esse assunto, mas sua resenha está muito boa.

Sil disse...

Olá Alê.
Infelizmente esse é um assunto que não gosto de ler e pouco entendo. Então me interessei pelo livro por ele ser para leigos, mas dai quando você falou que a opinião do autor prevalece, mudei de ideia. No fim fiquei em duvida se quero ler ou não hehe.

Blog Prefácio

Jéssica Soares disse...

Oi, Alê! Tudo bem? Depois que entrei na faculdade passei a tomar gosto da política e tive um professor que defendia ferrenhamente o Estado mínimo, isso me instigou ainda mais a procurar mais informações e embasamento. É legal saber da existência do "Pare de acreditar no Governo" e com certeza quero ler esse livro, mesmo que ele seja tendencioso. É difícil encontrar algum autor que só exponha os fatos sem realizar um juízo de valor ou opinar sobre, ao menos é bacana saber que o Bruno Garschagen deixa claro sua opinião ou não tenta disfarça-la. A dica está anotada!
Jéssica - http://lereincrivel.blogspot.com.br/

Ycaro Brito disse...

Odeio assuntos políticos, mas esse livro me arrebatou de uma forma surpreendente. O título é bem direto e chamativo, uma capa simples, mas legal e uma história incrível. Lerei para tirar mais conclusões.

suzana cariri disse...

Oi!
Adorei a ideia desse livro gostei muito de o autor ter escrito o livro para leitores leigos, já que não entendo tudo sobre o assunto ajuda muito e faz com que o livro fiquei mais acessível sei que nesse tipo de obra não podemos esperar um livro totalmente imparcial mas me incomodou que a proposta do seja a opinião lastreada nos fatos o que acaba que o livro nos faça seguir para uma certa direção !!!

Aguida Sampaio disse...

Achei a capa bem objetiva.
Não me interesso por livros sobre política ou do gênero, pois acabo não compreendendo quase nada. Gostei de saber que o livro é direcionado para pessoas leigas, pois só assim para as pessoas que, assim como eu, possam começar a se interessar pelo assunto. Pelo visto, você teve uma experiência [não muito] boa.
Futuramente pretendo conhecer a obra mais a fundo.

Bjs

RUDYNALVA disse...

Alê!
Política e economia são premissas presentes diariamente em nosso cotidiano e devemos nos alertar e buscar sempre informações.
Imagino que o livro deveria ser mais imparcial, ainda assim, é sempre bom analisar o ponto de vista abordado.
Desejo uma ótima semana, cheia de luz e paz!
“A alegria evita mil males e prolonga a vida.”(William Shakespeare)
cheirinhos
Rudy
http://rudynalva-alegriadevivereamaroquebom.blogspot.com.br/
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Ana I. J. Mercury disse...

Gosto de ler sobre política, embora eu mesma não entenda bem. Só que os livros que li achei bem chatinhos e imparciais, queria uma visão mais completa e de vários ângulos.
Provavelmente não lerei esse, mas se por um acaso cair em minhas mãos, vou tentar, rsrsrs
bjos
Ana
elvisgatao.blogspot.com

Letícia Souza disse...

Oie
O livro parece ser bem interessante só não gostei do autor apresentar muitos de seus pontos de vista já que algumas pessoas que se deixam levar acabam tomando a opinião dele como sua própria.Mas no geral o livro parece ser bacana,gosto de ler sobre política mesmo não tendo um lado concreto em qual ficar.

Patrini Viero disse...

Confesso que o livro não seria uma leitura que eu faria. Apesar de saber da importância de se inteirar dos assuntos políticos e econômicos que nos rodeiam, infelizmente esses dois são temas que me irritam e me causam um certo tédio. Além disso, acredito que a imparcialidade é fundamental quando falamos de algo baseado em fatos, e as opiniões do autor, para mim, seriam prejudiciais ao objetivo final, que seria o de fazer as pessoas leigas compreenderem por elas mesmas a situação do Estado. Acredito que opiniões prontas já nos conduzem a um determinado raciocínio e restringem nossa liberdade de interpretação.

Andre disse...

alguém poderia resumir?

Andre disse...

alguém poderia resumir?

Unknown disse...

Poderia indicar alguns livros para começar a entender sobre política ?

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