sábado, 10 de fevereiro de 2018

Binge-reading

Conversa de Contracapa é coluna off topic do blog Além da Contracapa. Sem limitação temática, iremos explorar todo e qualquer assunto relacionado ao mundo da literatura. 

Com a ascensão da Netflix e a popularização de seus seriados originais, geralmente disponibilizados de uma só vez, foi criado o termo binge-watching para descrever a situação cada vez mais comum de assistir um episódio atrás do outro. E sejamos sinceros, quem nunca encontrou uma série tão boa que esqueceu da vida e ficou na frente da tela por horas a fio?

Porém, um outro conceito surgiu no horizonte: binge-reading. A situação é exatamente a mesma, mas, em vez de séries, estamos falando de livros. E se você for um bookaholic, também já deve ter passado pela deliciosa experiência de ficar tão conectado a um livro, prometendo a si mesmo ler apenas mais um capítulo e no fim das contas passar a madrugada inteira acordado. 

Recentemente, li uma reportagem em que um jornalista compartilhava sua experiência como binge-reader, tendo lido mais de trezentos livros em oito meses. Apesar de parecer um número audacioso, ele comentou que apenas por que estava disposto a ler mais rápido que deu chances para livros que dificilmente leria, e pelos quais se apaixonou. Ou seja, a prática do binge-reading permitiu que ele saísse de sua zona de conforto e explorasse outros gêneros. 

Outro aspecto que o jornalista destacou é que ele se tornou menos crítico na hora de escolher suas leituras, pois não era necessário encontrar um livro “perfeito” toda vez. E mais: se a escolha não se mostrasse satisfatória, ele não tinha problema algum em abandonar a leitura pela metade ou de pular trechos enfadonhos, como a descrição de árvores genealógicas. 

Esta prática pode parecer imoral para os leitores mais puristas, mas o fato é que uma vida não é suficiente para ler todos os livros que desejamos. Então, a prática do binge-reading pode ser uma ferramenta interessante para nos tirar da zona de conforto e nos apresentar livros ou autores que dificilmente leríamos. 

Entretanto, creio que a vida de um leitor não deve se resumir ao binge-reading e a obsessão de fazer a lista de livros lidos aumentar. Já comentei por aqui sobre o slow reading e sobre a importância de ser seletivo, e continuo mantendo firmes tais opiniões. Afinal, mais vale uma boa experiência de leitura, de um livro que é potencialmente bom e que será devidamente apreciado, do que ler apenas por ler.

Porém, cheguei à conclusão que binge-reading e slow reading podem ser formas complementares de leitura. Afinal, há momentos que tudo o que mais desejamos é desconectar do mundo a nossa volta e mergulhar em um denso drama familiar, em um suspense eletrizante ou em uma investigação policial intrincada. Entretanto, há livros que pedem mais e que devem ser “saboreados” em todos os seus detalhes. 

E como decidir qual livro ler rápido e qual ler devagar? A meu ver, a resposta dependerá do gosto pessoal de cada leitor. Em meu caso, adoro imergir em fantasias e desbravar aquele mundo em poucos dias ou horas. Já dramas pedem uma experiência mais vagarosa, que me permita desvendar completamente a personalidade dos personagens. 

Encerro esta coluna com uma afirmação óbvia: binge-reading é uma ótima opção para feriados. Temos tempo de sobra e, geralmente, poucas opções de lazer. Então, por que não escolher um (ou mais) companheiro de leitura e aproveitar o carnaval com uma experiência intensiva de leitura?



10 comentários:

Nessa disse...

Oi Alê
Amei o post,não conhecia este termo binge-reading. Tem livros que eu sei que lerei rápido quando conheço a escrita da autora,e tem aqueles livros mais densos ou mais grossos que eu sei que irei demorar. Normalmente quando quero ler rápido já pego aquele que sei que vai ser rápido, mas nem sempre eu acerto e é muito frustrante quando pego um livro e a leitura fica arrastada, logo já quero abandonar. Faz parte. Adorei o post.


Beijinhos
https://diariodeincentivoaleitura.blogspot.com.br/

Ludyanne Carvalho disse...

Se tratando de séries, posso afirmar que não sou binge-reader. Na verdade eu nem assisto séries.
Que interessante essa experiência de ler mais de 300 livros em 8 mês, mas eu não conseguiria.
De fato, não poderemos ler todos os nossos desejados, e é melhor aprender a abandonar os livros que não agradam.
Ainda tenho dificuldade em abandonar, mas sou bastante seletiva nas minhas escolhas literárias.

Beijos

Gabriela CZ disse...

Bons argumentos sobre o binge-reading, Alê. Há muito também convenci de que é melhor ler menos e ler bons livros do que simplesmente ler por ler. Mas volta e meia surgem livros que não dão vontade de largar por nada. Então concordo que os dois métodos podem ser usados. Ótimo texto.

Beijos!

Thaty disse...

Oi Alê, não sabia da existencia desse termo e sobre o binge-reading acredito que ele não é pra mim. Gosto de ler tudo na calma e no meu tempo por mais que o livro seja "OMG eu preciso ler o que acontece agora!" tento ler devagar pra prolnogar a experiencia.

abraços
http://www.auniversitaria.com/

O Que Tem Na Nossa Estante disse...

Oi Alê eu não conhecia os termos, mas acho que o equilíbrio é sempre melhor, sair da zona de conforte é bem importante, fiz isso recentemente e conheci autores que eu acho que antes nunca teria o prazer de conhecer, como o Allan Poe. Enfim, excelente reflexão.

Bjs, Mi

O que tem na nossa estante

RUDYNALVA disse...

Alê!
Nunca tinha escutado esse termo: binge-reading e até gostei da ideia, porque de alguma forma, já faço. Sempre costumo estar lendo dois ou três livros de uma vez, porque um vai mais rápido, outro a leitura tem de ser degustada aos poucos e assim, vai.
Valeu a ideia!
Um carnaval de alegria e moderação e desejo uma nova semana!
“Ninguém é assim tão velho que não acredite que poderá viver por mais um ano.” (Cícero)
cheirinhos
Rudy
TOP COMENTARISTA FEVEREIRO: 3 livros + vários kits, 5 ganhadores, participem!
BLOG ALEGRIA DE VIVER E AMAR O QUE É BOM!

Sil disse...

Olá, Alê.
Geralmente a velocidade da minha leitura depende da história. Se ela estiver boa as vezes leio 400 páginas de uma vez, em compensação se a história não anda eu leio 20 páginas por dia e já canso como aconteceu em As Crômicas de Gelo e Fogo. Mas nem por isso deixei de amar a série. E não gosto de ler fora da minha zona de conforto porque tenho tantos livros para ler e não quero perder tempo em um que sei que não vou gostar. Não que eu não faça isso de vez em quando. O problema é que não sei abandonar e vou insistir em algo que vai me tirar dias em que poderia estar lendo algo que gosto hehe.

Prefácio

Victor Nascimento disse...

Oi Alê! Tudo bem?

Adorei a matéria! Ainda não conhecia o conceito e confesso que sou tanto watching quanto reading rsrs


Grande abraço!
www.cafeidilico.com

Patrini Viero disse...

Adorei a proposta da coluna! E o tema escolhido dessa vez é mais do que interessante e pertinente. Eu confesso que era um binge reader sem nem saber, assim como também sou uma slow reader em algumas ocasiões. Concordo em todos os pontos que tu discutiu, acho que todas as práticas de leitura são válidas e pra escolher algumas precisamos nos conhecer como leitores e entender qual delas é mais vantajosa ou proveitosa para nossa experiência.

Naiara Fidelis Da Silva disse...

Eu não conhecia este termo, as fiquei feliz pela informação.

Eu concordo com você, acredito que não é só de números que vivem os leitores, meu ritmo de leitura não é tão rápido, porém eu procuro me esforçar cada vez mais.

Fiquei chocada com a quantidade de leituras que o repórter realizou em tão pouco tempo. Mas, isso varia bastante de acordo com a disponibilidade de horário que temos.

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